A beatificação do livro

É um fenômeno que se pode observar em boa parte da massa intelectualizada do Brasil.Por todo lugar, o livro tornou-se um objeto símbolo do conhecimento, do saber, chegando a ser venerado por letrados.Desde o clássico “desligue a TV e vá ler um livro” ou variações como “saia do Orkut e vá ler um livro”, ou talvez a falácia “Pelo menos estão lendo alguma coisa, melhor do que ver TV”.A TV, por outro lado, virou símbolo de alienação e burrice.Os dois extremos carregam os equívocos e erros de interpretação cometidos por esses “intelectuais”.

Os livros viraram os cavaleiros do saber, prontos para defenderem a santa intelectualidade brasileira e destruir os infiéis,Uhu!

Os livros viraram os cavaleiros do saber, prontos para defenderem a santa intelectualidade brasileira e destruir os infiéis,Uhu!

A primeira coisa a entender são os princípios da comunicação: o emissor, mensagem, meio de comunicação e o receptor.Vamos ilustrar com duas situações:

1)Situação I : Temos o emissor, que é uma rede de televisão.Temos o receptor, que é um telespectador.Temos o meio, que é a TV.Temos a mensagem, que é o programa X.

2) Situação II : Temos o emissor, que é o autor de um livro.Temos o receptor, que é o leitor.Temos o meio, que é o livro.Temos a mensagem, que é um resumo escrito do programa X.

Pergunta: Qual é menos alienante: o programa ou o livro?

É óbvio que se um for, o outro também será.Já que a mensagem é a mesma, não importa o emissor, o receptor ou o meio de comunicação.A mensagem é o que define o caráter do que é emitido, não o meio.

É esse o grande equívoco de muitas pessoas.Elas usam o raciocínio de  que nos livros encontram-se as maiores fontes de cultura, quando na verdade um livro pode transmitir tanta porcaria quanto uma TV.Assim como uma TV pode ensinar, educar.

Só porque poucos leem, não quer dizer que qualquer livro deve ser transformado em um santo esclarecedor das pobres almas incultas.Pelo contrário, muitos livros são instrumentos de massificação cultural, assim como muitos sites e muitos programas.Enquanto muitos pensam que um livro ruim pode abrir portas para os livros bons, se enganam.O mundo da leitura acaba ficando limitado aos best-sellers de pseudo escritores, pois boa parte do público alvo dessa categoria não consegue expandir os seus horizontes.

Assim, os clássicos ficam restritos a uma minoria letrada e esquecidos nas prateleiras.Uma outra “minoria”, um pouco maior, engole o grande mercado literário instalado.O resto se limita às leituras obrigatórias ou a nada.Não que isso seja necessariamente terrível, o problema não é a pessoa deixar de ler.É a pessoa deixar de beber de qualquer fonte de conhecimento.Não interessa se essa fonte saiu do computador ou de uma televisão.

grafico

Com esse gráfico muito ruim, pode-se extrair as três principais categorias de leitores no Brasil, incluindo mais duas intersecções.

1- Leitores dos clássicos

Geralmente são universitários, professores ou especialistas.Mais ou menos 10% dos leitores.

2- Intermediários entre os clássicos e leituras básicas + best-sellers e booms literários.

Ainda constituem uma minoria de letrados, estudantes e alguns poucos jovens.

3- Leitores dos Best-Sellers

São a segunda maior massa de leitores ativos.É uma massa bastante heterogênea, englobando jovens, adultos, diversos profissionais, leigos.Apesar disso, ainda não constituem uma maioria e não alcançam grande parte das massas mais pobres.

4- Intermediários entre os Best sellers + Não leitores ou somente quando obrigados

Esses possuem um costume menor de leitura.Pegam às vezes um best seller, outras vezes não.São leitores irregulares e também heterogêneos, englobando uma massa bastante variada de profissiões, classes, idades.

5-Não- leitores ou leitores somente quando obrigados

Essa é a categoria que definitivamente não lê nada.No máximo em situações de pressão escolar.Por mais triste que isso seja, como eu já expliquei acima, tudo é uma questão de ponto de vista.Se dessa massa, alguns buscam informações em outros meios, não podem ser considerados incultos, burros, alienados.O livro é apenas um meio que eles não gostam, não existe nenhum problema nisso.

Enfim, os defensores dos livros têm “meia razão”.Por um lado, eles desejam uma melhora na cultura do país.Por outro, eles acabam caindo no preconceito contra os outros meios alternativo, ignorando a importância de qualquer forma de expressão existente, seja ela a dança, os programas de tv, os livros, os sites ou qualquer outra.

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10 pensamentos sobre “A beatificação do livro

  1. Acauã Pyatã disse:

    Bom, eu acredito que isso é um paradoxo, pois ao passo que a classe que defende os livros está completamente certa, ao passo que também estão completamente errados, de igual forma, os defensores da mídia televisiva. Eu acredito que este fenômeno de beatificar o livro se dê pelo fato de o meio intelectual ter uma visão da mídia televisiva como realmente um instrumento podre, o que também não deixa de ser verdade (risos), e convenhamos, se formos colocar numa balança, lixo literário existe sim, contudo é menos comum se encontrar livros lixo do que programas de TV, isto é uma realidade, mas o que ambos os lados esquecem que o verdadeiro ponto da questão, e detalhe, repito, o ponto da questão, é a questão, uma vez que não se trabalha o foco de que a qualidade da informação não está no meio que transmite, mas sim no que é transmitido, e ponto final! Seja pela TV, seja na forma de livro, se a informação for rica e de qualidade, é válida, independentemente de quem tenha proferido a mesma ou o meio.

    Tenho uma teoria, que esta longa briga entra literarios e midiaticos se dê especialmente pelo fator das pessoas estarem cada vez mais deixando o habito da leitura de livros, pela leitura de imagem, áudio ou até porque não citar leitura de e-books? isso mesmo, livros em formato digital! Isso pode remontar uma ultima tentativa motivada pelo medo de autores, que de repente não tenham muita habilidade em lidar com as novas formas de transmitir informação, que seu mercado literário passe a ser absorvido, modificado, no caso a realidade que eles conheçam venha a deixar de existir para um outro plano desconhecido a eles, o que acreditem, para quem se julga bom no que faz, é uma catastrofe. Mas é apenas uma teoria pessoal.

    Isso é algo inevitável, eu pessoalmente ainda prefiro o prazer de tocar as folhas, sentir aquele cheiro de papel e o prazer que causa quase um orgasmo psiquico (risos) de se ler um bom livro sentado num sofá confortável ouvindo the door’s ou João Bosco, num dia frio e chuvoso a luz de um abaju. Mas os tempos, conceitos, meios, em fim.. tudo muda… Eu pessoalmente nunca escrevi uma carta para alguém e enviei pelo correio, pois desde que me entendo por gente, mando e-mails. Acabei de escrever um artigo no meu blog falando sobre algumas imagens nostálgicas que marcaram a minha geração, um dia, não tão cedo presumo, mas um dia, isso se a raça humana não der cabo de si mesma antes, alguém escrevera acerca da sensação nostálgica que é relembrar aquele tempo em que existiram verdadeiras espadas do conhecimento, e dirão: “Eu vivi e vi o fim da era dos livros impressos”. É mrus caros.. tudo pode acabar nesse sentido, mas o que nunca pode ter fim, seja como for, é a livre difusão de idéias, como sementes lançadas no ar, que mais tarde brotaram.

    Ah sim Caroline, desculpe porque toda vez que eu resolvo comentar teus artigos eu praticamente faço um sub-post dentro do teu post… é que eu me empolgo com os temas, eles são simples mas fundamentais. rsrsr Abraços

  2. Acauã Pyatã disse:

    Bom, eu acredito que isso é um paradoxo, pois ao passo que a classe que defende os livros está completamente certa, ao passo que também estão completamente errados, de igual forma, os defensores da mídia televisiva. Eu acredito que este fenômeno de beatificar o livro se dê pelo fato de o meio intelectual ter uma visão da mídia televisiva como realmente um instrumento podre, o que também não deixa de ser verdade (risos), e convenhamos, se formos colocar numa balança, lixo literário existe sim, contudo é menos comum se encontrar livros lixo do que programas de TV, isto é uma realidade, mas o que ambos os lados esquecem que o verdadeiro ponto da questão, e detalhe, repito, o ponto da questão, é a questão, uma vez que não se trabalha o foco de que a qualidade da informação não está no meio que transmite, mas sim no que é transmitido, e ponto final! Seja pela TV, seja na forma de livro, se a informação for rica e de qualidade, é válida, independentemente de quem tenha proferido a mesma ou o meio.

    Tenho uma teoria, que esta longa briga entra literarios e midiaticos se dê especialmente pelo fator das pessoas estarem cada vez mais deixando o habito da leitura de livros, pela leitura de imagem, áudio ou até porque não citar leitura de e-books? isso mesmo, livros em formato digital! Isso pode remontar uma ultima tentativa motivada pelo medo de autores, que de repente não tenham muita habilidade em lidar com as novas formas de transmitir informação, que seu mercado literário passe a ser absorvido, modificado, no caso a realidade que eles conheçam venha a deixar de existir para um outro plano desconhecido a eles, o que acreditem, para quem se julga bom no que faz, é uma catastrofe. Mas é apenas uma teoria pessoal.

    Isso é algo inevitável, eu pessoalmente ainda prefiro o prazer de tocar as folhas, sentir aquele cheiro de papel e o prazer que causa quase um orgasmo psiquico (risos) de se ler um bom livro sentado num sofá confortável ouvindo the door’s ou João Bosco, num dia frio e chuvoso a luz de um abaju. Mas os tempos, conceitos, meios, em fim.. tudo muda… Eu pessoalmente nunca escrevi uma carta para alguém e enviei pelo correio, pois desde que me entendo por gente, mando e-mails. Acabei de escrever um artigo no meu blog falando sobre algumas imagens nostálgicas que marcaram a minha geração, um dia, não tão cedo presumo, mas um dia, isso se a raça humana não der cabo de si mesma antes, alguém escrevera acerca da sensação nostálgica que é relembrar aquele tempo em que existiram verdadeiras espadas do conhecimento, e dirão: “Eu vivi e vi o fim da era dos livros impressos”. É meus caros.. tudo pode acabar nesse sentido, mas o que nunca pode ter fim, seja como for, é a livre difusão de idéias, como sementes lançadas no ar, que mais tarde brotaram.

    Ah sim Caroline, desculpe porque toda vez que eu resolvo comentar teus artigos eu praticamente faço um sub-post dentro do teu post… é que eu me empolgo com os temas, eles são simples mas fundamentais. rsrsr Abraços

  3. Camilla Palha. disse:

    Certamente os livros são relíquias sagradas que deveriam ser revalorizadas no mundo globalizado onde seu meo é o técnico-científico.
    Nada e ninguém consegue tirar o enorme prazer de ler e folhiar páginas de um bom livro!
    Acho também que nesse mundo de meu Deus, os jovens de classe média(principalmente, sem generalizar radicalmente) não gostam de peder seu tempo lendo…motivos:inúmeros fatores[…]
    Ps:Autora , exemplos de leituras seriam de bom grado para seus leitores curiosos!haha

  4. Caroline disse:

    Huaushsauhsauh, não se preocupe Acauã, você sempre completa meus textos e isso é ótimo!O problema não é escrever muito, mas se você escrevesse muita besteira, ai sim.

    Bem, quanto àquela idéia de que se colocarmos na balança, os livros possuem menos porcarias, eu também tenho uma teoria para explicar isso:

    Os livros existem há quanto tempo?Quantos milhares de livros existem?Compare com a TV.E acho que para encontrar bons programas, infelizmente, você tem que apelas para a “tv fechada”, onde existem mais opções de filmes,documentários etc.No máximo a esquecida TV cultura nos canais abertos.A não ser, é claro, que você acorde 5h de sábado para assistir os únicos programas que se salvam na Globo.
    Toda vez que eu passo por uma livraria eu passo os olhos.Ultimamente eu percebi que existem três categorias de livros:

    1)Republicação dos clássicos
    2)Livros de auto-ajuda
    3)Livros com capas magnifícas sobre seres mágicos, sociedades secretas, etc.

    Enfim, acho que a produção de livros realmente interessantes continua pequena, comparada com o passado.

  5. Acauã Pyatã disse:

    Hehehe tah certo colega, bom eu revisei o código do meu banner, e corrigi ele, você pode pegar ele na opção do menu “Parcerias” do meu blog, é so dalhe aquele bom e velho ctrl + c e ctrl + v ok? rsrsrs Certamente o tempo de produção de livros influencia isso, tanto é que os maiores classicos e maiores horas geralmente se produziram por filosofos e epssoas em epocas mais distantes no passado! hehehe Até o proximo sub-post do teu proximo post huahauhauah

  6. pitocoviajante disse:

    Isso que você comentou agora Carol, era o ponto que eu tinha em mente para comentar haha. Mas também há outros fatores que podemos citar. Por exemplo, o público alvo da TV é diferente do público alvo de qualquer livro, generalizando mesmo. Justamente porque uma grande maioria prefere TV ao livro. Então a maioria dos programas na TV são mais “trash” do que os livros escritos. Não quero dizer que não haja livros “trash” ( faço questão de citar best-sellers que nao acrescentam em nada nas nossas vidas, livros de auto-ajuda e biografias de personalidades que ficaram famosas de uma hora pra outra.)

  7. teencontrodepoisdachuva disse:

    Bom saber que nem tudo o que se lê presta e nem tudo que se vê é lixo.
    Mas vale lembrar que tem muito lixo visto e muito tesouro escrito.
    Tudo tem seu limite nem podemos viver só de seriedade e riquise cultura total como também não só de lixo e initilidade.
    beijos

  8. Marian Macêdo disse:

    Bem, acho que os livros mesmo sendo de auto-ajuda, seres mágicos e sociedades secretas, não deixam de adicionar algo ao nosso intelecto. No meu ponto de vista, leitura sempreé bom, pois ao lermos, aumentamos o nosso vocabulário e em consequência disso melhoramos nossa escrita, além de não ter tudo de “mão beijada” como na tv (personagens, cenários, etc..) com o livro podemos criar tudo na nossa cabeça, somos mais livres para usar a nossa imaginação. Já quando assistimos a algo ruim, além de estarem enchendo nossa cabeça de bobagem, o máximo que fazemos é fixar o olho na tela e ficar vendo histórias com enredo besta (e muitas vezes repetidos: mocinha, mocinho e vilão), ou programas de auditório que se resumem em gente fazendo caridade falsa ou gente fazendo papel de ridículo para ganhas uma grana. A tv paga é menos mal, pois temos alguns poucos canais que se salvam, os outro não são tão ruins, mas a programação é muito repetitiva, principalmente em relação aos filmes.
    Minha conclusão é que, um livro com mensagem besta é menos pior que um programa de tv com mensagem besta.

    Vou passar a ler com mais frequência o jornal sanitário Carol! Beijos!

  9. Priscila disse:

    Oi! Adorei esse comentário sobre os livros e a TV e concordo a minha mãe fala sempre as mesmas frases…Parabéns pelo texto! é bem interessante!

    eee……Bom…..Ainda faltam 2 anos pra min prestar vestibular…então Boa Sorte!!!…..tenho certeza que vc vai se dar muito bem!!!!

  10. Deró disse:

    Carol,

    Concordo com o foco.

    Quando comecei a ler o post me veio o flash da frase “não se pode culpar a janela pela paisagem”; Teoricamente todas as “janelas” são iguais, algumas voltadas para as massas, outras para os chamados cultos.

    Não podemos nos esquecer de que TODOS os meios usados para se transmitir a informação, todas as janelas, tem suas tendências e inexoravelmente filtram seu enfoque. A “verdade real dos fatos” não existe, é algo intagível, é sempre vista segundo o ângulo das lentes de quem olha e quantas forem as pessoas que virem o mesmo fato tantas são as versões, nenhuma idêntica a outra.

    Assim é o livro e as outras mídias, se no livro há o filtro do status da triagem feita pelo editor, no caso dos outros meios alternativos de mídia existe a triagem feita por quem lê, filtro este igualmente importante, caso contrário uma HP estaria entregue ao ostracismo.

    Esses outros meios alternativos de comunicação longe de serem uma “arte menor” figuram como A democratização da comunicação, status que nenhum livro consegue alcançar.

    Parabéns pelo post.

    Boa sorte a todos

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