Manias da classe média de Belém

Belém é um ovo.  Essa afirmação, que remete à ideia que todas as pessoas da cidade, de alguma forma, se conhecem é o reflexo de um fenômeno sociológico curioso. A capital paraense conta com quase 1,5 milhões de pessoas, mas a classe média alta belenense é tão compacta e homogênea que todos “acabam se conhecendo” de uma forma ou de outra.Isso acontece porque essa classe possui um padrão de comportamento bem definido:

1- Aniversários com a Tia Bola.

2- Estudar em colégios de “elite”  : Nazaré e  Moderno ou “sub elite” : Gentil, Santa Catarina, Santa Rosa etc. As outras instituições são consideradas super populosas por estudantes sonhando com o primeiro lugar geral de alguma faculdade( são os colégio-cursinho) : Universo, Ideal.

3- Fazer  festa de 15 anos(nada mais ultrapassado que isso),  com Baile das Flores na Assembléia Paraense e viagem para a Disney.

4- Viagens para Salinópolis (ou Sal), com direito a exibições com motos/carros para os meninos e com biquínis para as meninas.

5-Malhar na Companhia Atlethica, Assembléia Paraense ou Luiza Duarte.

6- Frequentar baladas/bares “dignos” : Vegas, Favela, “Deja”.

7- Fazer inglês no CCBEU.

8- Colocar o filho em mil atividades ao 4 anos de idade : kumon, idiomas, caratê, judô, tricô…

9- Acompanhar colunas sociais como se o aniversário de fulana fosse uma grande notícia.

Por que isso acontece? Porque Belém cresce em números, mas não em mentalidade. Nossa cidade não saí do século XIX, quando os únicos cursos existentes eram Engenharia, Medicina e Direito e as mocinhas eram “apresentadas à sociedade” com 15 anos. Mesmo com uma população inflada, a capital não vive como uma metrópole. Belém vive  nos limites da modernidade, enquanto assiste curiosa ao modelo de vida de outras capitais. Essa forma de pensar, representada pelo padrão de comportamento da classe média alta, também indica porque a cidade não foi escolhida para sediar alguns jogos da copa(perdeu para Manaus), porque nossas representações políticas são caricatas e porque Belém ainda se sente o centro do Estado, enquanto outras cidades do interior se desenvolvem paralelamente a essa cultura.

Em breve, mais listas e mais manias.

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8 pensamentos sobre “Manias da classe média de Belém

  1. Rodrigo Erdmann disse:

    Parabéns pelo post!

    A famosa frase “Belém é um ovo” é tão pequeno burguesa…

    O pior de tudo não é a elite, é a subelite, a classe média nojenta querendo ser classe alta. É a classe mais vendida e hipócrita que tem. Estudei no Santa Catarina e lá ainda tinham algumas pessoas dignas de se fazer amizade, felizmente tive ótimos professores e uma boa educação tanto na escola e na família que me fizeram ter outros pontos de vista.

    Belém é colônia do próprio Brasil, duplamente inferiorizada.
    Sendo assim sempre será essa província que só tem olhos para si.

  2. Caroline disse:

    Rodrigo Erdmann, obrigada pelo comentário e contribuição.

    De fato, é muito mais cômico assistir à classe que fica à margem de todo o processo e vende a alma para o diabo para tentar usufruir um pouco desse mundo. Estudei no Santa Rosa e, acredito que assim como o Santa Catarina, havia pessoas detestáveis e pessoas agradáveis.Óbvio que por ser considerado um colégio sub-elite, havia as típicas figuras obcecadas por símbolos de status social, buscando incessantemente imitar o padrão de comportamento de estudantes mais abastados.

    Só sinto pena.

  3. Nayane disse:

    uhh legal a classe média falando de si própria
    hehe

    né, Rodrigo.
    hehehe

    🙂

  4. Rodrigo E. disse:

    hahaha
    eh.. interessante.

  5. pitocoviajante disse:

    Oi Kago. Nunca mais tinha aparecido por aqui.
    Adorei o post. Belém ainda é uma cidade provinciana. A única herança que sobrevive do período colonial é a mentalidade conservadora, impregnada na sociedade e que se reflete nas políticas públicas e sociais. O mínimo que nós – classe média – podemos fazer é a auto-crítica.
    Beijos

  6. Bibi disse:

    Vocês falam da classe média tentando imitar o padrão da elite e não vem o quanto são preconceituosos! O modo que falam é pejorativo. Se sentem tão superiores que isso sim é digno de pena.
    Contudo, concordo com Caroline em certos pontos. Há hoje em Belém modelos tão pré-moldados que cansam de tanta futilidade. Bares da moda tão efêmeros quanto os rostinhos bonitos, que mudam de nome a toda hora para fazer publicidade: Casa Blanca que virou Prime e assim por diante.

  7. Anônimo disse:

    Já fazem 28 anos que sai de Belém, mas parece que a mentalidade ainda é a mesma de quando mora aí e era adolescente! Estudei no colégio Moderno e fiz cursinho Ernest Rutenford, moro em Palmas-To estou aqui a exatamente a 10 anos. Uns dos fatores que vc. citou é que na querida metropóle da amazônia os nossos políticos são meramente hereditários, não deixando emergir novos valores políticos com novos ideais oque torna Belém uma cidade provinciana que se perdeu no tempo. Cabe a vcs. Moradores desta cidade lutarem por novos ideais. Felismina Medeiros. Palmas_To 04/10/2010.

  8. Emanuel disse:

    Eu morei em Belém 24 anos. Nesta cidade nasci, recebi educação e construi uma rede de relacionamento muito agradável. Participei dos costumes da cidade e obtive o máximo deste lugar do Brasil. Ao final de meus estudos universitários, decide deixar minha cidade natal para conhecer outras realidades. Eu acredito que Belém necessita criar mais oportuinidades de educar seus cidadãos, pois assim é que se constrói uma verdadeira metrópole. Uma grande cidade se faz com pessoas capazes. E pessoas inteligentes buscam os melhores postos. É fundamental desenvolver Belém socialmente e economicamente. Isso será o início de uma ciclo virtuoso. Eu sinto que a maioria acredita nisso, porém as lideranças não conseguem traduzir em ações os anseios de muitos. Não é tarde para nós que acreditamos nisso nos dispormos a assumir a responsabilidade pelo nosso sucesso e pelo nosso fracasso. Só desta maneira, seremos o motor da nossa própria prosperidade.

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