Entre “humor ácido” e “língua afiada”, fico com o bom senso e o silêncio.

Há quase um mês atrás foi publicado aqui no blog um infeliz post abordando a “liberdade”.

A liberdade é um direito fundamental inerente a todos, direito esse pelo qual o homem luta desde os primórdios, com seu apogeu na revolução francesa.

Porém, essa liberdade não pode ser interpretada da maneira romântica com o sentido de se fazer o que se quer e dane-se o resto.

Por vivermos em sociedade, temos que saber onde acaba o nosso Direito e onde começa o do outro, caso contrario viveríamos em uma completa anarquia.

Voltando no tempo para a nefasta era da inquisição católica, tínhamos pessoas sendo mortas apenas por expressarem uma opinião diferente das aceitas na época. Como exemplo, Galileu Galilei ficou anos em uma masmorra por dizer que a terra não era o centro do universo e sim o sol.

Um pouco mais pra frente, tivemos a ditadura militar no Brasil, onde pessoas com ideologias adversas ao regime eram “convidadas a se retirar do país”.

Superadas essas fazes de trevas, a sociedade clamava pela liberdade de expressão e comunicação, direito esse consagrado por diplomas legais como a Declaração de Direitos Humanos e a nossa Constituição Federal.

Ao expressarmos nosso ponto de vista publicamente, estamos defendendo uma forma de pensar e de agir, estamos formando opinião e, muitas vezes, sem saber, direcionando camadas a pensar no mesmo sentido que nós.

Eis o perigo da manifestação ideológica descontrolada e descompromissada.

O escritor anti-semita SIEGFRIED ELLWANGER publicou diversos livros disseminando sua aversão pessoal contra os judeus. Ele foi denunciado por uma comunidade judaica do sul do país, foi a julgamento e conseguiu ser absolvido em primeira instancia com o respaldo no Direito de liberdade de expressão, porem, em segunda e terceira instancia foi condenado pela pratica de crimes de preconceito.

Meu colega de blog afirma que tem o “o direito de desgostar e o dever de respeitar”, mas esse dever respeitar acaba no momento que ele expõe o pensamento.

Se você gosta de algo, provavelmente há um motivo por trás que subentende uma satisfação. E o contrario também. Se há um desgosto, é porque houve uma experiência negativa. A indiferença é quando nunca tivemos contato e não temos opinião formada, porem, baseado na historia da nossa sociedade, um “simples desgostar” de um negro, ou homossexual já subentende uma aversão discriminatória, e é difícil de dizer o contrario.

“Ou eu, aqui, não posso dizer, mais, que não gosto de gays? É CLARO que eu posso.”

Desculpa, amigo, mas não pode não, e não sou eu quem to dizendo, são as leis.

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão

Art. 11. A livre comunicação das idéias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem; todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei

Lei 5.250/67

Art. 1o. É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de Informações ou idéias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer.

LEI Nº 7.716/89. – Crimes de preconceito de raça e cor

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Pena: reclusão de um a três anos e multa.

§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza:

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

Ta certo, vinte dias depois da primeira gafe, uma tentativa de ratificação foi publicada. Digo tentativa porque não serviu ao seu propósito, ao contrario, só reafirmou a idéia do primeiro texto.

“Há muitos gays e negros pelos quais eu tenho muita admiração”

Sem comentários…

Não porque sou jurista encarregado da acessória jurídica do blog, não porque sou defensor da lei, não porque não tenho nada melhor pra fazer, mas sim porque fiquei extremamente incomodado com as palavras pretensiosas do meu colega sanitarisa, que deixo aqui meu manifesto.

Não é a minha intenção gerar discórdia, até porque somos todos da mesma equipe, só espero que a equipe do blog pense melhor antes de escrever algo. Se houver a duvida sobre o que falar e o que omitir, usem o bom senso.

Como diz minha avó:

“se você não tem nada de bom pra falar, então não fale nada.”

e

“a palavra é de prata e o silencio é de ouro”

Deixo um conselho ao Jornal Sanitário: apagar o ultimo e antepenúltimo posts como medida preventiva em face dos ultimos acontecimentos envolvendo um Jornal da USP que está sendo processado criminalmente por declarações homofobicas.

E aos leitores, peço que ignorem e desconsiderem esse capitulo na historia do blog.

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