Onde o Twitter errou

O Twitter praticamente parou de crescer. Observo essa rede social desde o seu auge, em 2009/2010, e agora vemos ela perder espaço para os números estratosféricos do Facebook. Desenvolvi algumas teorias com relação ao Twitter quando estava fazendo o anteprojeto de TCC e, na época,  essa rede social ainda não tinha perdido a relevância como está agora. Mas, por que? Seriam as ondas naturais da Internet, que crescem, explodem e depois somem ou tem mais a ver com má gestão?

Okurt: o laboratório das redes sociais online

Em primeiro lugar, acho que para entender o que está acontecendo, temos que voltar um pouco no tempo na recente história das redes sociais online: o Orkut. Depois do crescimento absurdo, sobretudo aqui no Brasil, o Orkut começou a investir em mudanças no site. O problema? Não estava levando em conta as necessidades do usuário, mas, pelo contrário, estava dificultando cada vez mais o uso.

Tudo isso é compreensível. O Orkut foi o grande laboratório das redes sociais online, uma experimentação tanto para desenvolvedores, quanto internautas. O problema é que a rede parecia não entender os anseios dos seus usuários: não soube lidar com a proliferação de fakes e spams; era uma plataforma fechada, que não interagia com o resto da internet e, por último, acabou sendo bloqueado em diversas empresas e instituições.

Facebook espertamente se apropria de elementos do Twitter e do Orkut

A grande mancada, na minha opinião, do Facebook foi não incorporar de modo tão forte como no Orkut a ideia das comunidades. O melhor do Orkut era essa possibilidade de reunir pessoas com visões semelhantes ou diferentes discutindo e trocando informações sobre determinado assunto.

Apesar disso, o Facebook ganhou pontos porque 1) controla a proliferação de perfis falsos e spams com mais facilidade que o Orkut 2) É uma plataforma aberta: vários sites podem colocar uma caixinha de “curtir” do Facebook ou então “compartilhar” e “curtir” nos conteúdos da página. Em suma: o Facebook acertou porque enxergou o usuário como um ser conectado, que pega links, reportagens, fotos e compartilha. Agora, isso não é uma característica de rede social online clássica, em que o usuário cria seu perfil e “adiciona” os seus amigos e parentes.

O Twitter é, por excelência, essa espécie de rede social fundada no compartilhamento. As conexões entre os perfis não são apenas de amizade ou relacionamento amoroso, mas de busca por informação, da banal à noticiosa. Aliás, como pretendo explorar no meu TCC, o Twitter é uma rede anti-social, porque suas estruturas não estimulam a reciprocidade ou pessoalidade. Um exemplo é que não existe a necessidade dos perfis se seguirem mutuamente. Daí os usuários do Twitter serem divididos entre “estrelas” – aqueles que possuem mais seguidores que seguidos – e público comum – aqueles que seguem mais do que são seguidos ou possuem um certo equilíbrio entre esses números.

O Twitter valoriza a informação rápida (140 caracteres) e de massa (Trending Topics). Ao mesmo tempo, os usuários tendem a expressar o humor nessa rede e se irritar com os seus seguidores que fazem o mesmo – âmago do meu TCC, gente. Perfis que apresentam muito reply, por exemplo, não interessam. É engraçado, vemos um movimento contrário no Facebook, em que os usuários têm o hábito de observar o perfil do outro.

O Facebook sacou essas características do usuário do Twitter e resolveu não só adiciona-las, mas também melhora-las. Como? Ampliou a quantidade de caracteres; modificou as atualizações do mural (bem mais simples e intuitivo); acrescentou a possibilidade de ASSINAR um perfil e de compartilhar publicação de perfil (qualquer semelhança com o Follow e RT é mera coincidência). Podem perceber que a atualização de status + álbum de fotos se tornou o foco do Facebook, em detrimento das informações do perfil. Isso atraiu o usuário do Twitter, que poderia ter as mesmas ferramentas + rede social clássica em uma só plataforma.

O Twitter errou porque valorizou demais o usuário “estrela” em detrimento do público comum. E, convenhamos, é o público comum que faz a rede. Ao invés de ir atrás de mais estrelas para participarem da rede, creio que isso terá um efeito bem pequeno, eu sugiro as seguintes modificações no Twitter:

1) Possibilidade de ampliar a quantidade de caracteres.

2) Melhorar sistema de busca dentro da rede e moderação de informação. Quem segue muitos perfis acaba se perdendo com tanta informação.

3) Replies não apareceriam mais na timeline., funcionariam como DMs.

4) Possibilidade de múltiplo login.

5) Estimular pesquisas com o usuário, para conhecer melhor seus hábitos, anseios e formas de comunicação

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4 pensamentos sobre “Onde o Twitter errou

  1. Conhecer o seu público é, de fato, muito importante. Agora, as coisas são realmente muito confusas nesse mundo pós-moderno – hihihihihihi -. A grande marca do Twitter é essa limitação, o fato de a pessoa só poder usar 140 carateres para simbolisar uma situação. Por isso, o esperado era que as pessoas utilizassem toda a sua capacidade cognitiva para criar frases fortes que resumissem e impactassem (creio que seja isso). Essa é a marca do Twitter e, talvez, sem isso ele perdesse sua identidade e sua graça.

    Porém, ao mesmo tempo, (percebo isso empiricamente é lógico) as pessoas sentem-se aguçadas a ler mais quaddo veem algu post com mais de 4 ou 5 linhas no Facebook. Como se a quantidade de caracteres fosse diretamente proporcional à qualidade do conteúdo. Então, a “graça” do facebook – além de outras mais que não citarei aqui – é essa possibilidade de escrever uma tese de doutorado em um único post.

    E ai nos perguntamos, qual é a real graça? Escrever pouco ou escrever muito? Quem está certo? O que tem mais aura? Enfim, acho tudo muito complicaod e creio que isso envolva não só variantes sociais, mas também questões subjetivas, psicológicas e de insconsceitne coletivo. Também acho que dava um bom TCC para quem interessar possa.

  2. Tbm pesquiso nessa área e na verdade o orkut criou uma nova versão para adicionar ferramentas do Facebook. E agora como vc destacou bem, o Facebook tem tentado se aproximar do Twitter. Quando tiver pdf de sua tese, eu gostaria muito de ler =D.

  3. Caroline disse:

    Olá Mariana, obrigada pelo comentário. Não tenho mais conta no Orkut, interessante saber disso. Pode deixar que quando estiver pronto eu envio para você e fique livre para mandar também o resultado das suas investigações para mim: csaraujo1@gmail.com

    Abraços

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