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Brasil não é um país preconceituoso

E a frase acima é uma das maiores falácias da história brasileira. A ideia de que, diferentemente de outros países, o Brasil não discrimina negros, homossexuais e mulheres acaba reforçando o preconceito e a hipocrisia da sociedade brasileira. E você, qual seu preconceito?

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Governo anuncia provável fim do vestibular

A questão do fim do vestibular está sendo debatida pelo Ministro da Educação, Fernando Haddad, com 55 universidades federais do país.A ideia seria substituir as provas do vestibular pelo ENEM, exame que avalia o raciocínio e conhecimentos gerais de todos os estudantes do Ensino Médio.
A discussão é bastante pertinente, já que o vestibular tem criado diversos prejuízos para a educação brasileira:

1)Conteúdo

Os conteúdos cobrados geralmente são extensos e sem nenhuma aplicação prática ou raciocínio envolvidos.O resultado é que uma grande quantidade de informação é decorada, não transformada em conhecimento pelos estudantes.

Além de serem muito grandes, esses conteúdos não englobam temas que os estudantes gostariam de discutir.O resultado é um bloqueio mental que muitos alunos criam com certas disciplinas, recorrendo à fórmulas, cursinhos para obter êxito no vestibular.

2)Os metódos

Como as informações são muitas, os professores do Ensino Médio abdicam da didática: dicas, não aprofundamento dos assuntos, excesso de “exercícios”, simulados, onde o importante é criar uma mecanização na resolução de questões, não o raciocínio lógico e crítico.

3) Tempo

O tempo confere perigo para a equação “conhecimentos enormes e complexos/200 dias letivos”.As “aulas” são corridas, surgindo milhões de dúvidas nunca respondidas, necessidades individuais nunca atendidas.

4)Lugar

Muitas pessoas querem cursar o ensino superior  em outras cidades/estados, mas por falta de dinheiro , diferença de conteúdos e/ou coincidência de datas, acabam impedidas.Como a prova seria unificada, o ENEM permitiria o estudante concorrer para vagas de qualquer Universidade do país.

Nasce uma indústria

Acabar com o vestibular tradicional também significa acabar com uma indústria poderosa instalada em muitas regiões do país.Belém, capital do estado do Pará, consolidou sua posição como uma cidade de comércio e serviços(terceiro setor).Como esse setor não para de inchar, muitos descobriram o potencial das provas de vestibular para incorporar serviços.Sendo assim, desde os anos 90, Belém vive um surto de cursinhos, outdoors e uma disputa fortíssima por um primeiro lugar geral, sobretudo da UFPA.

Mais um outdoor em Belém.Numa estimativa empiríca, propagandas que o vestibular movimenta chegam a ocupar 80% dos outdoors de Belém.

Os professores são uma "equipe" para garantir sua "vitória".Aham...

Tudo foi resumido a uma injusta competição, usando o sonho de milhares de pessoas para conseguir lucros.Enquanto esse sistema fica cada vez mais complexo e elitista, as classes mais pobres, que já sofrem com as péssimas condições do ensino público, veem as portas se fechando para a entrada numa Universidade.

Além de criar uma mentalidade de competição extremada(todos são vistos como concorrentes, não há tempo para nada, apenas estude, porque seu concorrente deve estar fazendo o mesmo nesse momento), o vestibular também cria uma suposta hierarquia de cursos.A grande briga é pelos alunos de Medicina, como se o curso fosse um berço de gênios e os outros fracos.O mais curioso é que raramente o primeiro lugar geral é de Medicina.

Mais um outdoor em Belém.Numa estimativa empiríca,as propagandas que o vestibular movimenta chegam a ocupar 80% dos outdoors de Belém.

Mais um outdoor em Belém.Numa estimativa empiríca,as propagandas que o vestibular movimenta chegam a ocupar 80% dos outdoors de Belém.

Mas, afinal, será que passar no vestibular comprova nossas capacidades?Será que alguém de Medicina é mais inteligente que alguém de Serviço Social?Será que a matrícula em um cursinho garante sua “vitória” nessa supostas “guerra”?Quem será que realmente ganha com tudo isso?

Sonhos alheios e educação nunca se tornou um negócio tão lucrativo.

[Um pequeno desabafo]

Vou deixar, a partir desse ponto, o post um pouco mais particular.Ano passado eu passei pela tortura do vestibular.As pressões imensas, as dicas ridículas, as formulaicas , a pressa dos professores.Posso dizer que, com todos os meus anos de estudante, os três últimos do Ensino Médio foram os menos produtivos.Os assuntos eram desgastantes, decorativos e pouco atraentes.Quando havia uma exceção, muitos professores pulavam detalhes, curiosidades e aprofundamento do tema.Só para dar um exemplo, quando fui estudar Segunda Guerra Mundial, o professor simplesmente citou os fatores e as consequências.Toda a turma, se não tivesse um conhecimento prévio, nunca saberia o que foi a Batalha de Stalingrado, o Dia D e tantos outros fatos que explicam as tais consequências.A quantidade de filmes e documentários sobre esse assunto é extremamente vasto, no entanto, mesmo possuindo o equipamento devido, o professor não exibiu sequer um desenho animado para a turma.Minha empolgação(finalmente um tema interessante) transformou-se em decepção e, em seguida, em um profundo vácuo.Hoje, na Universidade, provavelmente nunca terei a oportunidade de estudar Segunda Guerra novamente.E se eu não tivesse acesso à livros, filmes, documentários?E aqueles que não tem dinheiro, passaram através de bolsas em  cursinhos?Um dia entenderão porque falam “não” ao invés de “nein”?Entenderão porque não usamos a saudação nazista e eu posso estar aqui hoje escrevendo esse texto?

[Para mais informações]

Vestibular chegará ao fim.

[Extra]

Amanhã, dia 1º de Abril, famoso Dia da Mentira, é o aniversário do Golpe de 64 e será votada uma lei referente ao diploma de jornalista.Fiquem atentos 😉

Wicked: a história não contada.

O grupo teatral da escola de aplicação da UFPA ( antigo NPI) vai encenar dia 5 e 7 de Abril, no teatro Margarida Schivasappa (centur), a adaptação do musical da Broadway : “Wicked – A história não contada das bruxas de OZ”.

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Inspirado no clássico da Literatura e Cinema, o musical aprofunda a história original, mostrando que por trás da simplicidade de uma narrativa, existem diversas interpretações da mesma. Fugindo um pouco da estética tradicional infantil, onde as relações se dão entre o bem e o mal, o musical tenta mostrar um novo olhar sobre as relações entre os personagens.O cenário, figurino e coreografia são encantadores, mergulhando o espectador no mundo mágico do espetáculo, portanto,  é uma ótima oportunidade para apreciar o trabalho desse grupo.

Para mais informações:http://www.wickedbelem.blogspot.com/

[créditos: texto parcialmente do Uriel]

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A (in)justiça nas pequenas coisas.

Muitas das vezes, as pessoas apenas reparam nas injustiças divulgadas pela midía.São os salários baixos, o preconceito declarado e por ai vai.Com isso, os olhares sempre se esquecem das pequenas, mas não menos importantes, injustiças cometidas dia-a-dia.

animais_luxo

Um exemplo que eu andei reparando parece insignificante, mas revela a falta de empatia e até, de certa forma, uma ignorância.A grande maioria dos apartamentos-classe-média construídos na cidade de Belém e que possuem os chamados “banheiro para os empregados” não colocam chuveirinhos,duchinhas ou bidês.Alguém pensaria : “E que isso importa?É caro para a empresa fazer isso”.Bom, as empresas construtoras compram tudo das fábricas e, portanto, o custo é muito menor.Para instalar um desses, gasta-se no máximo 10 reais.Então, por que não colocar?

a. As construtoras não atentam para esse fato.

b. Aquela mentalidade de que “pobre” e “empregado” não precisa desse tipo de “luxo”.

c.As construtoras querem economizar cada centavo( se bem que, para fazer jardins, piscinas, churrasqueiras, ninguém economiza).

Talvez seja um desses fatores, ou a possível combinação entre eles.De qualquer forma, revela um enorme preconceito por parte das construtoras, mas esse problema não para por aí.

Tempos atrás, em uma discussão durante uma reunião de condominios do meu prédio, uma mulher reclamou:

– Escuta aqui, por que meu cachorro não pode andar no elevador social?Ontem eu vi um entregador de gás todo fedorento andando nele!

Por incrível que pareça, a mulher foi capaz de olhar para outros seres humanos como se fossem animais, aliás, pior do que animais.

Outro caso, recente, foi um relato de uma colega do meu curso na Universidade.Ela, além desse curso, conseguiu uma bolsa do ProUni numa das mais caras Universidades particulares de Belém.Ela explicou que a vaga estava quatro anos parada, pois ninguém conseguia a pontuação suficiente.Conseguindo, com muito esforço, de acordo com ela, pois só tinha lápis e papel no cursinho que ganhou bolsa, ela teve uma surpresa ao chegar na sala de aula.Todos os alunos já estavam reunidos em grupos para a execução de um trabalho:

– Gente, quem quer nossa colega no grupo?- perguntou a professora.

O silêncio é seguido por uma tensão no ar, e a pergunta é repetida cerca três vezes.A moça, então, reage:

-Não, professora.Pode deixar, eu faço o trabalho sozinha!

A professora insiste e alega que como alunos do curso de psicologia, eles não deveriam ser egoístas.Assim, um aluno timidamente aceita a moça no grupo.

A questão até aqui seria simples.No entanto, os alunos começam a conversar sobre cotistas e bolsistas, sabendo que a moça entrou através do segundo.Assim, um dos alunos solta:

– Meus pais pagam $$$, para vir um preto pobre e burro, sem senso crítico ficar estudando com meu dinheiro!

Os comentários seguem a mesma linha da blasfêmia acima.Agredida, a moça tenta revidar:

– Olha, eu sou pobre mesmo e não tenho vergonha disso.Eu fui a única que, em quatro anos, conseguiu a pontuação para conseguir essa bolsa.Não foi fazendo um prova boba e fácil, como você pensa.Outra coisa, você não paga meus estudos.O governo federal tira parte dos impostos da U*, então seu dinheiro é investido nos seus estudos, tudo depende de você.Não concordo com sua visão de que pobre,negro não tenha senso crítico.Nós podemos não ter acesso a toda educação do mundo, mas sabemos perceber tudo que nos cerca.

Não citei o nome dela, nem da universidade por questões éticas.Os diálogos acima não estão exatamente como foi colocado, porque foi baseado no relato dela.

Assim, percebemos que a violência não está só nos jornais.Ela está no nosso cotidiano.Atentem agora, queridos leitores, àqueles olhares de discriminação.Atentem para o livro da vida e procurem sempre ler nas entrelinhas.

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O trote da morte

A recepção dos calouros em muitas Universidades continua chocando: casos absurdos de violência, humilhação e até morte.

A entrada em uma Universidade sempre foi motivo de muita alegria para os vestibulandos.Depois de horas gastas em cursinhos, livros e apostilas, finalmente esses estudantes conseguem uma vaga no curso sonhado.Depois de tanto esforço, é óbvio que os calouros desejam ser bem recebidos, para conhecer o curso, as organizações dentro da Universidade e tudo mais.Apesar disso, não é o que aconteceu e continua acontecendo em muitas instituições de ensino superior no país, sobretudo as do sul/sudeste. O chamado “trote”, ao invés de ser uma brincadeira sadia, vira uma amostra de falta de humanidade, violência e abuso.O caso da morte do estudante de medicina da USP, dez anos atrás, foi um alerta para a falta de controle existente na prática do trote.O calouro,Edson Hshueh, foi obrigado a ficar dentro de uma piscina, sendo que avisou os veteranos que não sabia nadar.

Calouros de medicina veterinária da UFMS são obrigados a rolar na lama,ingerir um liquido espumante, cuspir e passar para o próximo.

Calouros de medicina veterinária da UFMS são obrigados a rolar na lama,ingerir um líquido espumante, cuspir e passar para o próximo.

Nesse último Domingo, novamente casos de violência nos trotes  foram divulgados: queimaduras, chicotadas, fezes,chutes e lesões sérias.Mesmo após dez anos da morte do estudante de medicina, não existe uma lei específica para esses casos.O que pode acontecer é a Universidade, no máximo, expulsar os alunos que apresentarem esse comportamento desumano.O que pode ser feito nesse sentido?

Campanha da UFG contra os trotes violentos.

Campanha da UFG contra os trotes violentos.

O primeiro passo seria a criação de leis rígidas para a punição efetiva dos estudantes que praticam esse tipo de trote.O projeto de lei nº 1.023, em tramitação desde 1995, está pronto para ir para a votação na Câmara, tornando o trote violento um crime. O segundo passo seria da própria Univerisidade, que criaria novas formas de trote.A UEPA(Universidade Estadual do Pará) organizou o “trote solidário”, onde os calouros doariam material escolar para uma creche carente.Outras Universidades optaram por organizar a pintura das casas de comunidades carentes pelos calouros.Essa iniciativas já mostram que esse é o caminho para um trote construtivo e benéfico para todos.

Fonte: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=858042&tit=Projeto-de-lei-preve-detencao-para-quem-pratica-trote-violento

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