Arquivo da categoria: comportamento

Onde o Twitter errou

O Twitter praticamente parou de crescer. Observo essa rede social desde o seu auge, em 2009/2010, e agora vemos ela perder espaço para os números estratosféricos do Facebook. Desenvolvi algumas teorias com relação ao Twitter quando estava fazendo o anteprojeto de TCC e, na época,  essa rede social ainda não tinha perdido a relevância como está agora. Mas, por que? Seriam as ondas naturais da Internet, que crescem, explodem e depois somem ou tem mais a ver com má gestão?

Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , ,

Disputa de classes nas redes sociais online : preconceito e ascensão social

Reproduzo abaixo um comentário que fiz no ótimo texto “Orkutização e Preconceito”, publicado no blog do  meu colega Diego Paes. Esse tema gera bastante controvérsia, mas achei importante começar essa discussão também no Jornal Sanitário.

Muito do movimento que gerou o termo “orkutização” é, na verdade, uma reação da classe média brasileira com relação à ascensão social que o Brasil viveu nos últimos anos. Mesma coisa quando reclamam que “popularizou o carro”, por isso o trânsito tá uma merda ou que “popularizou o avião”, por isso o caos aéreo.A culpa não é dessa nova classe média, é da falta de estrutura desses sistemas, já que o governo e algumas empresas não estavam preparados para essa mudança social.

A classe média tradicional, em muitos casos, age de forma egoistamente irracional. Se sente incomodada com coisas que não afetam em nada a vida, como uma empregada doméstica começar a estudar; um negro ter um carro caro; um miserável conseguir se estruturar a partir de programas sociais.

Acho que na internet ainda é mais irracional: não existe bem material na internet. Ninguém perde alguma coisa quando aumenta o número de pessoas de classes menos favorecidas numa rede social online. Pelo contrário: isso quer dizer que os mercados estão se tornando mais diversificados, que essas pessoas estão tendo acesso à comunicação, à cultura e à informação.

Essa reação, típica da classe média estabelecida é preconceito e, pior, hipocrisia. Hipocrisia porque é uma classe que adoraria ascender socialmente e faz isso dos modos mais ridículos possíveis tentando imitar a classe mais rica com suas bilhões de prestações e pacotes turísticos.

Acrescento que já me envolvi com discussões à respeito, principalmente porque não entendia essa história de orkutização. Inicialmente, achei que tinha a ver com a proliferação de spams – motivo pelo qual deixei o Orkut e estou querendo largar o Facebook e Twitter- mas depois soube que o termo se refere ao uso que pessoas de classes menos favorecidas fazem dessas redes sociais.

Acho engraçado esse povo que zoa a favela, a baixada, a periferia. Se já vemos absurdos, não só ortográficos (maioria das pessoas reclama disso), mas também de pensamento pequeno na nossa feliz classe média, imagine se essas pessoas não tivessem acesso à educação, alimentação, cultura e tudo mais como acontece na periferia? O que eu já ouvi de besteira saindo da boca de riquinho não é brincadeira. Merda não escolhe bolso, não.

“Quero que se exploda a periferia toda”?

Ao invés desse pensamento mesquinho, que tal fazer um esforço no sentido contrário? Vamos integrar e respeitar  a cultura da periferia – não de um modo artificial e tosco como alguns antropólogos querem – para transformar a internet num espaço verdadeiramente livre e plural, não em nichos fechados e restritos à classe social. Não é da natureza da Internet dividir as pessoas, encarcera-las em seus bairros, classes sociais ou etnias. Por que ir contra isso?

Por que não posso aceitar uma pessoa pobre no meu perfil do Facebook? Sério que dói? Não seria melhor ver essa pessoa como um possível amigo, como PESSOA MESMO e não como um esteriótipo de classe social?

A periferia é nossa “sombra” social, em termos mais ou menos jungianos. Ou seja, é aquele lado que a sociedade não quer assumir, prefere fingir que não existe ou se fastar agressivamente, como se não fizesse parte dela. Mas a pobreza é uma realidade e, ao invés de fingir que ela não existe, o melhor é tentar incorpora-la ao todo, aceita-la como um lado triste da humanidade, mas que depende de todos nós para mudar.

Não vejo problema algum de que a miséria desapareça ou que a pobreza diminua. Isso não me afeta diretamente, mas sei que vai ter grandes consequências sociais. Todas positivas, mas é preciso preparo das estruturas e sistemas. No caso das redes sociais, só precisamos de bom senso mesmo.

O mundo dá voltas

Uma coisa engraçada é que parece que já o ouvi essa história antes. Por volta do século XIV, na Europa, a burguesia começou a ascender socialmente e a “invadir” espaços antes restritos à nobreza. Os nobres ficaram irritados e foram criando mil regras e procedimentos num esforço de  afastar ao máximo os burgueses. Regras de etiqueta, de linguagem, as roupas mudando o tempo todo, ficando cada vez  mais sofisticadas e complexas para diferenciar as classes. Em contrapartida, burgueses começaram a comprar títulos, criar organizações e formas de representação política que se tornaram o gérmen da democracia moderna. O final da história todo mundo sabe e vejam só quem anda agindo como nobre agora…

#classemediasofre

Etiquetado , , , , , , , , , ,

Os opositores da proposta do Ministério da Educação demonstram crer piamente em um componente “mágico” dos kits: basta ver relações homossexuais que as nossas criancinhas vão mudar de orientação e se transformar em pervertidos. Ok, como se isso fosse possível.

Continuar lendo

A mágica do kit anti homofobia

Etiquetado , , , , , , , ,

Chic?

A polêmica do uso de pêlos em roupas e acessórios voltou depois da coleção PELEMANIA da Arezzo. O debate, dessa vez, vai muito além do conflito fashionistas x ecologistas e implica até que ponto podemos ser ecologicamente corretos.

Desfiles invadidos, cartazes, WWF, Greenpeace. Já tem um tempo que ativistas ambientalistas criam confusão – muita das vezes em vão – com produtos de luxo, cosméticos, bolsas e vestuário que contém substâncias que fazem mal para o meio ambiente ou que são feitos de pele/couro/pêlo de animais.A diferença é que dessa vez a questão divide a opinião do público na internet, que protesta ou concorda com a marca no Twitter, colocando a Arezzo no topo dos Trending Topics do Twitter.

Pelo fato de envolver um público muito maior que os ambientalistas costumeiros, a fragilidade do discurso ambientalista coloca em questão os limites de uma atitude ecologicamente correta. Diferentemente dessa maioria de ambientalistas, as pessoas consomem carne e usam produtos feitos de couro, o que contribui para uma crítica válida ao hipócritas de plantão, como vemos no tweet abaixo:


Coelhinhos e bichinhos fofinhos

O que evidencia a hipocrisia entre vegans, ecologistas e fashionistas é que muitos defendem apenas animais fofinhos, mas não tem problemas com a morte de outros seres, como insetos e os gados para alimentação. O pensamento é mais comum no mundo ocidental, já que em países do Oriente, como a China, é comum comer animais fofinhos, como cães, gatos etc.

Comer carne é tão anti ético quanto ter um casaco de pêlos naturais?

Em contrapartida, comer carne é diferente de comprar um casaco de pêlo, principalmente porque precisamos comer para sobreviver. Em um país como o Brasil, fica ainda mais difícil impor um padrão vegan para a população, já que são produtos mais caros e distantes do modo de vida da maioria das pessoas.

A questão-chave é: comer carne é tão anti ético quanto ter um casaco de pêlos naturais? Eu não sei a resposta, sobretudo porque é uma pergunta que envolve mais valores do que ciência. Essa é uma das coisas que complica o discurso ambientalista: ele está carregado de moralidade, uma característica que chega, inclusive, a lembrar o discurso religioso.

Teoricamente, comer carne é um processo de acordo com as leis da Natureza. Os outros animais fazem isso entre si e é impossível sobreviver sem tirar a vida de algo, seja um outro animal ou uma planta. A não ser que você faça fotossíntese, você não tem saída. Alguns vegans/vegetarianos argumentam que diferentemente do leão, nós temos consciência e podemos optar pela ingestão somente de vegetais.

Eu já tive discussões homéricas com vegans/vegetarianos e tento evitar ao máximo esse tipo de debate, porque nenhum dos lados muda de opinião e acaba sendo uma troca de farpas à toa. Dessa forma, vou logo avisando que estou dando minha visão do assunto e você é livre para discordar (com educação, sempre) nos comentários.

Voltando para a questão da Arezzo, existem opções criadas pela ciência que imitam muito bem o couro, os pêlos de animais e a pele, então por que insistir no uso das “originais”? Infelizmente, com relação às carnes as opções ainda são complicadas: vegans/vegetarianos geralmente tem que tomar suplementos, que nem são cientificamente comprovados como saudáveis. É nesse momento que lembro do caso do bebê que morreu de desnutrição por causa da dieta vegan imposta pelos pais. Além disso, se formos pela lógica de “comer cadáver”, só consumindo proteínas e vitaminas no formato de cápsulas, porque, como já foi dito anteriormente, plantas também são seres vivos.

Por outro lado…

https://i0.wp.com/makefor.virgula.uol.com.br/_img/fck/image/casaco%20pelos.png

A moda das roupas de pêlos varreu o hemisfério norte, principalmente depois de um desfile da Chanel com botas felpudas. As fashionistas de plantão questionam : ” Por que não podemos usar o couro/pêlo/pele dos animais que comemos?” O problema nem seria aproveitar ao máximo o abate de um animal, mas matar simplesmente para fazer uma roupa. O resto de raposas, coelhos seria jogado no lixo – uma crueldade sem tamanho, além do desperdício.

A indústria da moda, é bom lembrar, movimenta tendências efêmeras, que, justamente por essa característica não chega a ser responsável pela extinção de coelhos, por exemplo. Se formos analisar, casacos de pêlos são usados desde a pré-história, mas de modo esporádico desde o surgimento da moda consumada (referência à Império do Efêmero, de Gilles Lipovetsky). Mas já tirar a vida de um animal apenas para satisfazer os desejos da moda é um problema?

Quando a moda quer uma coisa, ela não vê limites e pode ser muito inflexível – por mais paradoxal que isso possa parecer. Ela tem a capacidade de ser sim ecologicamente correta, mas esse modelo só serve a um segmento social e não se constitui uma regra para a moda generalizada. Como reverter esse quadro?

Podemos persistir no pensamento de que a moda é apenas uma futilidade, um apêndice do capitalismo ou reconhecer que essa seria uma visão extremamente fechada e bitolada do fenômeno. A moda tem muito a ver com comportamentos e demandas. Um acessório de pêlos fake tem mais ou menos valor do que um natural? Por que? Tudo isso não depende apenas de um grupo de estilistas, mas de quem compra esses produtos.

Por fim…

Essa não é uma questão com resposta pronta e, principalmente, com resposta certa. Envolve valores, ciência, gosto e opiniões muito fortes. A minha é a seguinte: se temos opções que não matem animais somente para extração de pele/couro/pêlos, ótimo, vamos usar essas opções. Quanto ao bife de cada dia, vamos aguardar as soluções da ciência.

Texto: Caroline S.


Etiquetado , , , , , , , , , , , , , ,

Mulheres-fruta: Freud explica?

Você liga a TV e tem uma mulher de quadris avantajados dançando um funk sem sentido. Uah, não é novidade, certo? Ledo engano quando o apresentador indica o nome da dançarina: mulher-melancia. E a partir daí começam a pipocar na mídia variações bizarras de mulheres-fruta. Seria esse apenas um fato isolado de uma mídia desesperadamente esquizofrênica ou existe muito mais por trás do fenômeno?

https://jornalsanitario.files.wordpress.com/2011/04/mulher-abobora.jpg?w=300

E a Mulher-abóbora? - Imagem retirada do site Jacaré Banguela

Já tem algum tempo que eu to devendo esse post para os leitores do jornal – na verdade, eu to parecendo político prometendo posts e enrolando vocês. Pois bem,  a ideia para esse texto surgiu um tempinho atrás a partir da proliferação repentina na mídia das “mulheres-fruta”.

Em um primeiro momento, parece que estamos nos referindo a alguma tribo  formada por mulheres primitivas coletoras de frutos ou então de personagens de uma experiência científica que não deu certo. Na realidade, trata-se de mulheres com atributos sexuais inflados e que relacionam esses atributos ao nome das frutas, enquanto fazem exibições televisivas. Esse fenômeno é extremamente curioso, porque não é isolado,já que não foi apenas uma mulher com nome de fruta se sacodindo na TV , mas várias.

Esse texto pode fugir um pouquinho do padrão JS de qualidade, principalmente por conter penduricalhos teóricos. Mas o importante é refletir sobre o assunto. Eu aproveitei para pesquisar sobre e percebi um padrão interessante na relação entre o ato de comer e o ato sexual.

Continuar lendo

Etiquetado , , , , , ,
%d blogueiros gostam disto: