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Direito, liberdade e o mimimi das empresas de comunicação

Aloha!

** Antes de mais nada, quero deixar claro que vou tentar ao máximo não demonizar a mídia. É difícil, mas sabemos que a responsabilidade pela comunicação não é somente dos veículos de comunicação, mas de todos nós. (own) . Vamos lá:
Quando o jornalismo surgiu, vieram junto os discursos que legitimaram a sua razão de ser – para qualquer coisa se manter socialmente ela precisa de um argumento, pode ser uma falácia ou não. Uma delas é a de que o jornalismo é um mecanismo de defesa da sociedade civil contra o Leviatã estatal. Faz sentido quando pensamos que o jornalismo surgiu ao lado das revoluções burguesas. (e esse meu primeiro parágrafo repetindo jornalismo ad aeternum?)

Enfim, people, por que fiz essa introdução? Para mostrar como historicamente o jornalismo criou mitos. “Qual o problema dos mitos, dona Carol?”. O problema é que eles começam a distorcer a forma como percebemos a realidade e no caso do jornalismo, melhor, da comunicação,acaba confundindo as pessoas. E essa confusão é usada como estratégia argumentativa para defender interesses políticos e econômicos.

Umas semanas atrás, a mídia brasileira em geral começou o mimimi em torno de uma moção apresentada no último congresso do PT. A proposta em questão diz respeito a um marco regulatório dos veículos de comunicação. Li na Veja, não só numa edição, como a proposta era reflexto do “autoritarismo dos petralhas”. Tudo bem, né, quem falava era a Veja. Mas acontece que fui dar uma passada no Observatório de Imprensa e encontrei textos com uma opinião mais ou menos parecida.

Formar opinião sobre o assunto é complicado – clichê. Apesar de ser um tema complexo, acredito que temos que inciar uma discussão na sociedade sobre a regulação da mídia. Não concordo com a postura de alguns veículos de simplesmente fingir que isso é fruto de uma alucinação petista-stalinista.

Deixo aqui o tema em aberto para qualquer um opinar, mas vou enumerar algumas proposições fruto daquele mito jornalístico que citei no inicio do texto:

1- Regular = censurar

Os veículos de comunicação alegam que marco regulatório é só uma expressão para substituir a censura. Palavra feia, que sempre é associada às manchas na história política brasileira: DIP, Ditadura Militar, tortura, imprensa acuada.

Na realidade, não são termos equivalentes, já que regular é um imperativo social. Regular é criar leis e mecanismos que assegurem a ordem social. Ser contra a regulação é ser a favor do estado de natureza hobbesniano do homem (você pode ser, mas assuma isso, baby) ou anarquista.

Em qualquer lugar, a lei equilibra e media as relações de poder na sociedade. Um princípio de uma democracia moderna é de que nada está acima da lei. NADA. Nem políticos, nem eu, nem jornalistas, nem empresas e, finalmente, nem a imprensa (que é uma empresa também, há).

A mídia pode tentar confundir as pessoas, evocando o mito do 4º poder. Pergunto: se a mídia é uma instância de poder equivalente aos outros 3, por que só ela não precisa se submeter às leis? A imprensa às vezes aspira ser o judiciário, mas mesmo este está sujeito às leis. soo…

Censura é quando o jornalista descobre um fato, mas não pode divulga-lo porque o patrão não quer. Censura é quando a mídia erra e não dá direito de resposta. Censura é quando o cinegrafista e o jornalista tem que desvia de uma placa criticando o seu veículo atrás do repórter. Censura é quando o veículo não admite os seus erros do passado e seu posicionamento atual. Censura é quando uma edição omite fatos. Censura é quando uma edição desrespeita a tragédia alheia, mostra corpos sem pudor, explora a tristeza, a miséria, o sofrimento humano pensando apena na tiragem do jornal ou na audiência.

2 – Capitão Imprensa (Os veículos de comunicação servem para defender o povo dos políticos inescrupulosos)

Tá certo que o Clark Kent e o Peter Parker trabalhavam em jornais, mas não se engane: quem edita tudo é o J. J Jamenson!! (ignorem piada nerd). Ok, como eu disse no inicio do texto, o jornalismo se reveste desse mito de escudo da sociedade civil. O problema é que isso só é possível, teoricamente, se determinado veículo não for atravessado por interesses econômicos/políticos. Ou se auto-sustentando, o que já se provou impossível, ou que escravize jornalistas – espera, eles já fazem isso, mas enfim. Uma proposta é o financiamento público, como acontecem com algumas redes européias.

A questão é que mesmo com o financiamento público essas redes sofrem quedas de audiência e um gradual sucateamento ao tentar concorrer com as tvs comerciais. Não sei realmente a solução para esse problema, mas, voltando ao assunto, os veículos de comunicação são em sua maioria empresas ou ligadas ao Estado. Onde entra a sociedade civil ai, hein?

Os fins não justificam os meios e um erro não justifica o outro. Dois provérbios que ilustram qual deve ser a postura ética de um jornalista. Grampear telefone de político para saber das maracutaias é CRIME. Isso não é trabalho de jornalista, isso é cometer um crime para denunciar outro. Ou seja, totalmente inválido. Não que o político em questão não possa ter sim suas falcatruas. Maaas, se formos aplicar essa regra, vamos começar a fazer “justiça com as próprias mãos”, expressão até errada, já que não há nada de justo. Pelo contrário, se perde a razão quando se comete um crime para denunciar outro.

Não se iludam quando a imprensa diz que é imparcial ou quando ela mostra tal político sendo acusado de corrupção. Ela não faz isso para o bem da sociedade, para o esclarecimento da população. Isso não existe, sempre ela vai tomar um partido, seja ele político ou econômico. A diferença é que uns (poucos) veículos assumem seus posicionamentos de modo claro e honesto. Outros preferem agir dissimuladamente. E agora? Quem poderá nos defender??
3- Jornalistas exercem liberdade de expressão ao escrever para veículos

NÃO. Simples assim. Jornalistas só se expressam, quando ombudsman do jornal não recomenda o contrário, no Twitter ou blogs. Em casos raros, criam seu próprio jornalzinho. A não ser que você tenha uma coluna sobre “psicologia” e fique divagando sobre “fórmulas da felicidade” ou, ainda, que você seja um colunista com opinião idêntica ao editorial do veículo, então você NUNCA expressará sua opinião ou vontade na mídia. NUNCA! Ai voltamos para aquela lenda de que os jornais são imparciais e bla bla bla. O fato, em si, é imparcial, mas filosoficamente e semioticamente eu tenho um zilhão de argumentos que mostram de modo lógico como é impossível representar a totalidade de um objeto. Sempre será um angulo, uma parte da ideia que, ainda por cima, sofre influência da nossa subjetividade.

4 –  Ah é? E quem vai regular? Políticos inescrupulosos? Oh, não, de novo não!

Muita calma nessa hora. Na verdade, não existe nenhum projeto sólido sobre o tema. Criar leis específicas para a imprensa? Mas para que, já que o código penal já prevê os crimes de calúnia, difamação? Bom, para inicio de conversa, muitas questões dispostas na constituição não são cumpridas pelos veículos de comunicação. Se você quiser saber um pouco mais, é só dar uma procurada na Constituição ou conferir algumas decisões tomadas durante a última Conferência de Comunicação (Confecom), que aconteceu em 2009, se não me engano.

Whatever, como eu dizia, quem vai nos proteger? Bom, uma proposta que eu acharia interessante seria a criação de conselhos formados por representantes da sociedade civil. Esses conselhos garantiram o cumprimento das normas estabelecidas na Constituição referentes à imprensa e MAIS: serviram como uma forma de proteção. Por exemplo, antes de uma matéria ir ao ar, se ela for “problemática”, ferir a ética ou desrespeitar alguém, o conselho pode alertar o veículo. Censura? Censura é exibir uma matéria denegrindo a imagem de alguém sem se basear em fatos. Depois que algo é divulgado, dificilmente se consegue apagar. A mídia erra, porque é produto do ser humano. Mas não podemos deixar que esses erros passem batido. Um deslize pode destruir para sempre a vida de alguém (é sério isso)

Essas questões que apresentei aqui são apenas uma parte infíma da discussão sobre a democratização da comunicação, que interessa a todos.Desculpem se foi mal desenvolvido, as ideias ainda estão se organizando aqui. Mas participem!

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7 de Abril: Dia do Jornalista

jornalismodia

[Especial]

Hoje, 7 de Abril, é o Dia dessa profissão tão controversa e ao mesmo tempo tão cativante.Fazer Jornalismo é um dos temas mais discutidos nos dias atuais.Até que ponto estamos informando?Até que ponto estamos vendendo?E os direitos?E a Lei de Imprensa?Afinal, hoje em dia, o que é ser Jornalista?

Jornalistas  x  Poder

Não vamos esmorecer na nossa crença de que jornalismo é algo que se faz com espírito crítico, fiscalizando o poder.

Mino Carta

Na História

Diversos jornalistas enfrentaram o poder apenas com suas palavras.No passado, quando as ditaduras assombravam os meios de comunicação, os poucos que tentavam se opor eram torturados e mortos.

Vivenciando a fúria de Adolf Hitler, Fritz Gerlich enfrentou o ditador nazista até a última palavra, sendo enviado para um campo de concentração e assassinado.A tragetória de Gerlich pode ser conferida na minissérie Hitler – A ascensão do mal.

É um caminho amargo.De fato, quando decidi o meu curso, já sabia muito bem os absurdos dessa profissão.Mas também sabia que não haveria outra atividade que eu conseguiria exercer, senão a da comunicação.

Autora desse artigo, sobre Jornalismo

No Brasil, a ditadura também fez poucas e boas dos jornalistas.Temos o caso de Carlos Lacerda, oposição poderosa contra Getúlio Vargas e alvo constante da censura do DIP.Além de Lacerda, Vladmir Herzog, um dos casos mais escandalosos dos porões da ditadura militar de 64, resultou na  trágica morte do jornalista comunista iuguslavo.

Nos dias Atuais

O Brasil vive uma crise midiática bastante sutil.Enquanto a Grande Imprensa continua seguindo o tortuoso caminho de servidão ao poder, embates jurídicos e éticos jornalísticos são promovidos nos tribunais.

POder e jornalista, uma relação perigosa.
Poder e jornalista, uma relação perigosa.

Paulo Henrique Amorim, jornalista da TV Record e dono do site  Conversa Afiada, vive na briga pela verdade com o colunista da Veja, Diogo Mainardi.A richa entre os dois já resultou em diversos processos na Justiça.Paralelamente, o jornalista Lúcio Flávio Pinto, dono do Jornal Pessoal, sofreu uma agressão física de um dos donos das Organizações Rômulo Maiorana(proprietária do Jornal O Liberal).A briga entre jornalistas e patrões, somada à influência do poder, cria uma verdadeira guerra pela informação nos meios de comunicação.

Nesse contexto, ser jornalista é ser vulnerável às disputas pela verdade.Enquanto os fatos ficam suspensos no ar,eles esperam ser “pescados” e devidamente manipulados trabalhados.Muitos pescadores morrem no caminho, porque não querem cozinhar seu peixe, apenas mostra-lo cru para a sociedade.Foi o caso de Anna Politkovskaya,jornalista premiada por sua investigação acerca das atrocidades cometidas pelo governo russo,  foi encontrada morta, em seu prédio, aos 48 anos, 2 dias antes da data de publicação de seu próximo artigo.

Os jornalistas são os trabalhadores manuais, os operários da palavra. O jornalismo só pode ser literatura quando é apaixonado

Marguerite Duras

Mas…E a questão do diploma?


Essa é uma discussão que atualmente está sendo debatida  no STF.Juntamente com a Lei de Imprensa, será votado no dia 15 de Abril a obrigatoriedade ou não do diploma de Jornalismo.A importância dessa decisão irá certamente afetar o mercado de trabalho, o destino dos cursos superiores, as Rádios Comunitárias e assim por diante.Qual o diferencial que um diploma faria?Poderemos comparar um jornalista a um médico?



O que você acha?

Lei de Imprensa x Lei de Empresa

Outra questão refere-se à Lei de Imprensa.Essa lei foi implantada durante o Regime Militar, no AI-5, para controlar os meios de comunicação.Já que a maioria dos seus artigos são incompatíveis com a Constituição de 1988,o tribunal  suspendeu 20 dos 77 artigos da Lei e pretende extingui-la.Os ministros argumentam que já existe na Constituição uma lei referente aos crimes cometidos pela imprensa(calúnia, difamação etc).A abolição dessa Lei poderia conferir maior liberdade de expressão para os jornalistas?Ou abriria espaço para os grandes donos dessa indústria abusarem do poder midiático?As páginas ficariam mais manchadas de falta de ética do que já acontece?

A sociedade é maior do que o mercado. O leitor não é consumidor, mas cidadão. Jornalismo é serviço público, não espetáculo

Alberto Dines

A esperança

Assim como nossa sociedade, o Jornalismo evoluiu muito.Ainda é uma das profissões mais perigosas e estressantes do mundo.Não é o glamour que muitos imaginam e os salários geralmente são uma miséria(com exceção da Fátima Bernades e do Willian Bonner).É uma profissão feita de muitos conflitos, mas também de muita paixão.

Que num futuro não tão distante, jornalismo seja uma busca pelos fatos, e não por dinheiro e fama.Que nós possamos olhar para o passado e brindar pela democracia e liberdade de expressão do presente.

Conclui essa autora apaixonada.

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Quem comeu a minha língua?

Cadê o verde e amarelo?

O preconceito é uma forma de pensamento que se mostra muito mais forte quando velado.Geralmente, quando se pensa nele, a imagem do Klu Klux Klan ou de nazistas é a primeira que aparece.Mas,na verdade, o preconceito serpenteia por vários ramos de pensamento, alcançando diversos setores culturais e étnicos, como a língua.

A relação de hierarquia pode surgir tanto entre idiomas diferentes, quanto dentro da própria língua.No Português, por exemplo, as variações são exaltadas ou ridicularizadas, dependendo do poder político e econômico que a região apresenta.O sotaque nordestino é mostrado como símbolo da pobreza, ignorância, enquanto que o carioca representa o “Brasil bonito”, das praias,das novelas.Por que isso acontece?Será que o do nordeste é errado e o do centro-sul é o certo?Para a Linguística, não existe certo nem errado, quando o objetivo maior, a comunicação, é efetuado.

No mundo, também se observa o poder de um idioma sobre o outro:o inglês acabou virando obrigatório em qualquer currículo, dissemina-se pelo cotidiano e vende sua imagem de “língua universal”.A inter-relação entre idiomas não deveria expandir um em detrimento do outro, já que a troca de palavras e  sotaques só enriqueceria o vocabulário. A realidade é que foram fincadas bandeiras nas nossas línguas, que não conseguem mais dizer cachorro-quente, mas hot dog.

Chico Bento, personagem criado por Mauricio de Sousa, reflete o preconceito linguístico entre o modo de falar da cidade e do campo.

Chico Bento, personagem criado por Maurício de Sousa, reflete o preconceito linguístico entre o modo de falar da cidade e do campo.

Não apenas o Português vivencia essa colonização arbitrária.Toda vez que o trono do mundo muda, a língua do rei vira língua de todos.Para impedir que a comunicação entre os países ficasse relacionada ao poder e hegemonia cultural, Ludwik Łazarz Zamenhof inventou o Esperanto, idioma planejado para vencer as barreiras culturais e étnicas entre os países, funcionando como uma verdadeira “língua universal”.A ideia ganhou força e hoje o Esperanto é a língua planejada mais falada do mundo.

Apesar disso, o inglês continua expandindo seus poderes.Para a maioria dos brasileiros, não é tão ruim conviver com as loja’s, mas para os orientais é um suplício aprender a língua de Shakespeare, Mark Twain e Capitão América.O mandarim, com os mais de três mil ideogramas diferere no tronco linguístico, alfabeto e sintaxe do inglês,portanto, os chineses e outros povos orientais apresentam uma dificuldade imensa para aprender os verbos irregulares e adquirir fluência, diferente do que ocorre com a maioria dos brasileiros.

A nação mais poderosa do mundo falar inglês NÃO tem nada a ver com a sua influência na nossa língua [/ironia][ironia]A nação mais poderosa do mundo falar inglês NÃO tem nada a ver com a sua influência na nossa língua [/ironia]

Até quando veremos filmes americanos sobre Segunda Guerra Mundial mostrando alemães e russos falando inglês e se entendendo?Por que os filmes alemães ou russos do mesmo tema colocam até 4 idiomas diferentes na mesma projeção?Houve uma época em que tudo era escrito em Latim, que o chique era o Francês e que se falava com Deus em Espanhol.Mas, assim como seus impérios, essas línguas perderam o seu trono.Quando o mundo esquecer da monarquia e, de fato, abraçar a democracia, serão ouvidas  todas as vozes culturais, mesmo com instrumentos diferentes, tocando a sinfonia da diversidade.

Saiba mais sobre o Esperanto em:

Artigo do Nebulosa nerd’s bar

Muito humor e informações sobre o idioma.

Esperanto na Wiki

A boa e velha Wikipédia com outros detalhes da vida do criador da língua planejada mais popular do mundo.

[Créditos: tirei umas pitadas dos sites acima.O texto foi feito para minha aula de Introdução ao Jornalismo: Ética.]

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Mídia Alternativa

Debate de Mídias alternativas apresentou para os calouros de Comunicação Social da UFPA as maiores representações de Arte,Cultura e Sociedade no cenário paraense.

Essa semana, o CACO( Centro Acadêmico de Comunicação da UFPA) preparou uma Semana do Calouro especial para os novos estudantes do curso.Várias mesas, GD , debates, oficinas e mini-cursos foram realizados nesses cinco dias.Na quinta-feira, foi organizada uma palestra sobre Mídia alternativa, contando com a participação do jornalista Lúcio Flávio Pinto, do Jornal Pessoal,Osmar Pancera, da Rádio Margarida, Ilma Bittencourt, do Centro de Estudos e Práticas de Educação Popular e Jeyson Duarte, sobre Intervenção Urbana.

É importante discutir essas questões aqui no Jornal Sanitário, já que fazemos parte da mídia alternativa fragmentada: a blogosfera.A comunidade de blogueiros paraenses já discutiu esse assunto, mas vou trazer ele para cá:”Qual papel dos blogs na sociedade?”.

É inegável que os blogs estão influenciando nas dinâmicas de informação e conhecimento produzidos e debatidos na Internet.O que antes eram diários virtuais, hoje tornaram-se um importante instrumento de comunicação entre pessoas comuns, que no passado eram meras espectadoras da televisão.Não digo que a Internet irá acabar com a TV,contudo, não se pode negar que ela está ocupando um espaço muito grande na comunicação social.

A Arte Grafitti usada para expressar emoções e pensamentos.

A Arte Grafitti usada para expressar emoções e pensamentos.

Por ser uma ferramenta tão poderosa e democrática, o mundo dos grandes meios de comunicação tenta estigmatiza-la, apresentando a Internet como um meio perigoso,não confiável, mar de pedofilia, crimes e inutilidades.É lógico que isso existe na rede, mas ela não se resume apenas a isso.

Esse mau julgamento não está restrito à Internet.Expressões de arte de rua, como o grafitti, também são marginalizados e estereotipados pela Grande Mídia.Esse assunto foi tratado por Jeyson Duarte, que mostrou vários exemplos da arte grafitii x pixação.

Outra questão, também debatida nesse dia, é a de levar meios de comunicação para a população carente.Nesse sentido, incentivar a criação de Rádios Comunitárias, cinema pelos próprios atores sociais é uma prática também dos meios de comunicação alternativa.

Assim, esperamos que esse meio alternativo, seja na Internet, nas rádios comunitárias ou na grafitagem, ganhe mais unidade e força, para que a comunicação se torne, de fato, um direito de todo cidadão.

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A beatificação do livro

É um fenômeno que se pode observar em boa parte da massa intelectualizada do Brasil.Por todo lugar, o livro tornou-se um objeto símbolo do conhecimento, do saber, chegando a ser venerado por letrados.Desde o clássico “desligue a TV e vá ler um livro” ou variações como “saia do Orkut e vá ler um livro”, ou talvez a falácia “Pelo menos estão lendo alguma coisa, melhor do que ver TV”.A TV, por outro lado, virou símbolo de alienação e burrice.Os dois extremos carregam os equívocos e erros de interpretação cometidos por esses “intelectuais”.

Os livros viraram os cavaleiros do saber, prontos para defenderem a santa intelectualidade brasileira e destruir os infiéis,Uhu!

Os livros viraram os cavaleiros do saber, prontos para defenderem a santa intelectualidade brasileira e destruir os infiéis,Uhu!

A primeira coisa a entender são os princípios da comunicação: o emissor, mensagem, meio de comunicação e o receptor.Vamos ilustrar com duas situações:

1)Situação I : Temos o emissor, que é uma rede de televisão.Temos o receptor, que é um telespectador.Temos o meio, que é a TV.Temos a mensagem, que é o programa X.

2) Situação II : Temos o emissor, que é o autor de um livro.Temos o receptor, que é o leitor.Temos o meio, que é o livro.Temos a mensagem, que é um resumo escrito do programa X.

Pergunta: Qual é menos alienante: o programa ou o livro?

É óbvio que se um for, o outro também será.Já que a mensagem é a mesma, não importa o emissor, o receptor ou o meio de comunicação.A mensagem é o que define o caráter do que é emitido, não o meio.

É esse o grande equívoco de muitas pessoas.Elas usam o raciocínio de  que nos livros encontram-se as maiores fontes de cultura, quando na verdade um livro pode transmitir tanta porcaria quanto uma TV.Assim como uma TV pode ensinar, educar.

Só porque poucos leem, não quer dizer que qualquer livro deve ser transformado em um santo esclarecedor das pobres almas incultas.Pelo contrário, muitos livros são instrumentos de massificação cultural, assim como muitos sites e muitos programas.Enquanto muitos pensam que um livro ruim pode abrir portas para os livros bons, se enganam.O mundo da leitura acaba ficando limitado aos best-sellers de pseudo escritores, pois boa parte do público alvo dessa categoria não consegue expandir os seus horizontes.

Assim, os clássicos ficam restritos a uma minoria letrada e esquecidos nas prateleiras.Uma outra “minoria”, um pouco maior, engole o grande mercado literário instalado.O resto se limita às leituras obrigatórias ou a nada.Não que isso seja necessariamente terrível, o problema não é a pessoa deixar de ler.É a pessoa deixar de beber de qualquer fonte de conhecimento.Não interessa se essa fonte saiu do computador ou de uma televisão.

grafico

Com esse gráfico muito ruim, pode-se extrair as três principais categorias de leitores no Brasil, incluindo mais duas intersecções.

1- Leitores dos clássicos

Geralmente são universitários, professores ou especialistas.Mais ou menos 10% dos leitores.

2- Intermediários entre os clássicos e leituras básicas + best-sellers e booms literários.

Ainda constituem uma minoria de letrados, estudantes e alguns poucos jovens.

3- Leitores dos Best-Sellers

São a segunda maior massa de leitores ativos.É uma massa bastante heterogênea, englobando jovens, adultos, diversos profissionais, leigos.Apesar disso, ainda não constituem uma maioria e não alcançam grande parte das massas mais pobres.

4- Intermediários entre os Best sellers + Não leitores ou somente quando obrigados

Esses possuem um costume menor de leitura.Pegam às vezes um best seller, outras vezes não.São leitores irregulares e também heterogêneos, englobando uma massa bastante variada de profissiões, classes, idades.

5-Não- leitores ou leitores somente quando obrigados

Essa é a categoria que definitivamente não lê nada.No máximo em situações de pressão escolar.Por mais triste que isso seja, como eu já expliquei acima, tudo é uma questão de ponto de vista.Se dessa massa, alguns buscam informações em outros meios, não podem ser considerados incultos, burros, alienados.O livro é apenas um meio que eles não gostam, não existe nenhum problema nisso.

Enfim, os defensores dos livros têm “meia razão”.Por um lado, eles desejam uma melhora na cultura do país.Por outro, eles acabam caindo no preconceito contra os outros meios alternativo, ignorando a importância de qualquer forma de expressão existente, seja ela a dança, os programas de tv, os livros, os sites ou qualquer outra.

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