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Pioneiro = melhor? A crítica de Belém acha que sim.


Claro que pioneirismo é uma qualidade. Afinal, ter uma ideia diferente de todo mundo, iniciar um projeto inovador – só ter a sacada do projeto já é válido – é para poucos. Mas e quando isso começa a se transformar em uma justificativa quase plausível para pouca qualidade e o pior: para a falta de crítica

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Belém, tu não “foi” assim.

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Historicamente, a capital paraense possui uma influência portuguesa forte. Não só na arquitetura e genética, mas também na forma como o belenense fala.No processo de introdução da língua portuguesa na Amazônia, várias palavras próprias da cultura portuguesa e também certos elementos do sotaque foram absorvidos : merendeira,arredar, o chiado característico e uso do pronome “tu”.

No entanto, nas últimas décadas, com a expansão das redes de televisão de alcance nacional, a forma de se falar em Belém tem sofrido mudanças significativas. A transmissão de telejornais produzidos por redes do sudeste do país impôs uma nova dinâmica sociolinguística na capital.

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O que nos move é o vazio?

Talvez esta pareça uma percepção um tanto nietzschiana da vida. Ou até marxista. Isso porque abomino ambas formas de pensar. Mas, divaguemos…

Muitos de nós é o que é por causa do vazio existencial. Apesar de não perceber, a ideia de que sua vida tem começo e fim faz cada individuo ou grupo de indivíduos criar mecanismos que mascaram essa noção. Às vezes, o medo de que um dia você será apenas pó, esquecido e insignificante, faz com que você se jogue em uma busca frenética pela eternidade.

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Vestibular dream

Belém, quente e provinciana como sempre, vivencia todo início de ano uma “corrida markentista” pelo primeiro lugar nas universidades públicas. A briga entre os cursinhos e colégios chega a ser cômica, pois os outodoors anunciando de onde veio o primeiro lugar se multiplicam pela cidade.

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Dia internacional da mulher: festejar ou refletir?

Esse dia, 8 de março, é festejado por vários comerciantes,sejam camelôs e suas rosas de plástico,sejam lojas de perfume,papelarias.Muitas mulheres ficam felizes ao ouvir seus maridos serem gentis(nem que seja uma vez no ano).Por trás dessa cortina de celebração, é preciso entender o porquê de um dia internacional para as mulheres, o que ele simbolizou e simboliza e, já que estamos tratando da imagem da mulher, vamos falar especialmente do papel da mulher na publicidade, mídia e comunicação.

Como tudo começou…

Basicamente, a maioria das sociedades primitivas começou sem estabelecer muitas diferenças entre os sexos.Com o tempo, as características, sobretudo as físicas,  foram determinando as atividades e status de homens e mulheres.Por exemplo, em uma comunidade, logo se percebeu que mulheres não conseguiam carregar tijolos com tanta facilidade como os homens.Assim, esse trabalho foi destinando aos machos da espécie, já que o trabalho seria executado com menos esforço e em pouco tempo, beneficiando toda comunidade.Tá certo que eles provavelmente não pensaram nisso na hora, mas  nasceu a divisão do trabalho por sexo.

Bem, já deu para entender que, conforme a sociedade evoluía, essa divisão foi sendo acirrada.Os gregos, apesar da sua inovadora democracia,não consideravam as mulheres cidadãs.  Aristóteles, um grande filósofo grego, chegou a chama-las de “homens incompletos”.

Na Antiguidade, o único povo que demonstrou dar mais liberdade para as mulheres foi o egípcio.Muitas mulheres obtiveram poder político no Egito Antigo, como a famosa Cleópatra, Nefretiti etc.Relatos sobre as amazonas misturam lendas e mitos, portanto não vou considerar totalmente essa possibilidade.

A cultura judaico-cristã estabeleceu o papel de mãe, dona-de-casa e submissa de uma sociedade patriarcal.A perseguição de milhares de mulheres, acusadas de bruxaria pela Igreja, contribuiu para uma imagem negativa da mulher.Maria Madalena, que ilustra uma grande polêmica, recentemente discutida em O código da Vinci, foi estigmatizada como a associação da mulher ao pecado.E o que falar de Eva, que teve o mesmo papel na história de Gênesis?Seria verdade ou machismo?A imagem da mulher ficou marcada ,durante séculos, por essa visão ou de donzela passiva, ou de mau encarnado.

De Maria Madalena à propagandas de cerveja.

De Maria Madalena à propagandas de cerveja.Como a imagem da mulher foi mudando conforme o tempo e,apesar disso, ainda possui resquícios do passado machista.

Como surgiu o dia 8

Após essa pequena introdução, damos um salto para a época da Revolução Industrial.Muitas mulheres entraram para o mercado como uma mão-de-obra mais barata e fácil de explorar.Ganhando menos e vivendo em ambiente insalubres, elas lotavam as fábricas dos séculos XVIII e XIX.

Mulheres nas fábricas: mais baratas.

Mulheres nas fábricas: mais baratas.

Nesse contexto, em  8 de março de 1857, houve uma greve de operárias de uma fábrica em Nova Iorque.Elas reivindicavam os seguintes direitos:

  • Melhores condições: Sim, como já foi dito anteriormente, as fábricas eram imundas, escuras, úmidas e com “ar viciado”.
  • Redução de carga horária: Reclama das suas 8 horas?As mulheres queriam a redução de 16 horas(o dobro!!) para 10 horas.
  • Equiparação dos salários com os homens: Para executar o mesmo trabalho, uma mulher chegava a receber até um terço do que um homem ganhava.Se os salários daquela época já eram uma miséria, imagine um terço disso.

A reivindicação foi reprimida e as operárias foram trancadas na fábrica, que foi incendiada.Cerca de 130 mulheres morreram.A atitude desumana e cruel ganhou repercussão mundial.Assim, em uma convenção na Dinamarca, em 1910, ficou definido o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.

Assim, a luta por direitos foi levantada por muitas mulheres e ganhou força nos anos 60.A partir daí, foram conquistados cargos importantes e quebrados vários tabus.

Propagandas antigas:Você quer dizer que uma mulher pode abrir isso?, traduzindo para o português.Burra e sem educação, aos poucos a imagem da mulher está mudando, mas até que ponto?

Propagandas antigas:"Você quer dizer que uma mulher pode abrir isso?", traduzindo para o português.Burra e sem educação, aos poucos a imagem da mulher está mudando, mas até que ponto?

Mas, o que isso simbolizou, afinal?

Tirando qualquer teoria feminista idiota, simbolizou o começo do fim de uma muralha entre os dois sexos.Afinal, temos diferenças físicas, mas isso não impede que exista respeito.Apesar do idealismo, muitos atos machistas e de desprezo à mulher continuam ocorrendo.Não falo apenas das denúncias de estupro, violência doméstica,mas da violência à própria imagem da mulher, que será discutida no próximo tópico.

Os movimentos feministas ganharam força nos anos 60: queimar sutians e protestar tornou-se uma atitude comum da mulher a partir desse período.

Os movimentos feministas ganharam força nos anos 60: queimar sutians e protestar tornou-se uma atitude comum da mulher a partir desse período.

Como assim?Mulher e propaganda?

Como muito se fala, mas pouco se faz à respeito, a mídia continua abusando da imagem feminina.Explora e banaliza a sensualidade da mulher como uma forma “espertinha” de conseguir “vender o seu peixe”.Apesar da ligeira evolução nesse sentido, as clássicas propagandas de cerveja e outdoors continuam estampando o estereótipo de mulher-objeto, ou, no vulgar a “gostosa”.A questão é que agora essa mentalidade é passada de um modo bastante sutil, quase subentendido.Vemos essa imagem da mulher desejada por todos em filmes, novelas, propagandas.Isso ocorre, como já foi falado em outras ocasiões, pelo simples fato de isso chamar a atenção.

Dá um exemplo, por favor!

Bom, então imagine um homem comum vendo TV no domingo, sentado em seu sofá e trocando de canal.Domingo é torturante para qualquer pessoa, tendo ela cérebro ou não, então nosso amigo clica raivosamente no controle remoto, esperando algo menos pedante.No passar veloz das imagens, a visão dele capta algo.Ele volta e lá está: uma bela moça semi-nua dançando em algum programa de auditório.Ou talvez uma propaganda em que apareça uma jovem de seios avantajado e biquini desfilando com o produto .Assim como uma arapuca, a propaganda pega em cheio no “ponto fraco” masculino.

http://www.revistafator.com.br/imagens/fotos/hillary_clinton

Mulheres entram em mundos antes restritos aos homens, como a política.

Bom, e dái?Marketing é marketing, não importa os meios, o objetivo foi alcançado!

Espere um pouquinho.Os anúncios publicitários não podem possuir total liberdade para veincular suas idéias.Deve sempre existir um limite na Legislação, para que “qualquer coisa” não seja transmitida.Não?Então imagine  um shampoo para piolhos que faz alusão aos campos de concentração.Você acha correto alguém utilizar essa comparação em um anúncio? O humor negro e sem limites fere os direitos tanto do consumidor que assiste quanto os próprios Direitos Humanos, ao tratar de um assunto tão sério e triste de uma maneira leviana e sádica.Pense no que pode ser passado se brechas nas leis forem criadas e usadas por publicitários.Se o racismo e preconceito podem ser transmitidos, o machismo não foge à regra.O problema é que pouco tem sido feito para frear o uso da mulher-objeto nas propagandas.Esse tema já foi, inclusive, abordado em outros artigos do jornal, como “A anatomia da revista adolescente” e “Não,não desceu redondo”.São questões, que acabam passando despercebidas no nosso cotidiano e que têm sim importância diante das outras violências contra a mulher.

Concluindo…

Que esse não seja apenas um dia de flores.Que não seja apenas um dia.Não precisa pegar sua bandeira e sair gritando e chutando todos os homens que vê pela frente.Mas apenas pense.Reflita sobre o seu papel como cidadã.Talvez, se não fosse por umas 130 operárias mortas, eu não estivesse aqui.Talvez, você não tivesse nascido nessa sociedade, mas em uma que ainda vive os valores “tradicionais”, onde a inferioridade da mulher é uma valor absoluto da sociedade.Talvez se não fosse a revolução cultural dos anos 60, eu estivesse casada com oito filhos e não saberia ler, só tricotar.

À título de curiosidade:

Marcos das Conquistas das Mulheres na História

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1788 – o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
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1840 – Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
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1859 – surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
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1862 – durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
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1865 – na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
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1866 – No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas
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1869 – é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres
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1870 – Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
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1874 – criada no Japão a primeira escola normal para moças
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1878 – criada na Rússia uma Universidade Feminina
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1901 – o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres

Retirei umas informações:

http://www.suapesquisa.com/dia_internacional_da_mulher.htm

Sugiro:

http://www.ufpa.br/beiradorio/rep3.html


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