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Embates feministas: beleza x inteligência


Costumo ler os textos do blog da Lola Aronovich, o Escreva Lola Escreva. É muito bacana, às vezes encontro coisas que eu gostaria de falar sobre, principalmente com relação aos blogs machistas e piadinhas que pipocam o tempo todo na web. Apesar disso, de vez em quando encontro nos textos – e no discurso de algumas colegas que se dizem feministas – uma clara aversão à vaidade feminina (colocada como uma imposição masculina e das empresas/mídia que criam padrão de beleza etc) ou qualquer outra coisa relacionada à moda, maquiagem e aparência. Por fim, chegamos à dicotomia beleza x inteligência. Esse tema tem se mostrado muito problemático e creio que seja digno de uma discussão mais aprofundada, principalmente dos que defendem a causa feminista.

Em primeiro lugar, não acredito que estejamos vivendo em um mundo de fronteiras fixas, divisões absolutas ou qualquer outro sonho cartesiano/platônico. Beleza não exclui inteligência e vice-versa, assim como ser mãe não exclui trabalhar, e ser feminista não significa ser desleixada e usar roupas feias.Uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas me parece que essa marca no discurso seja resultado de um conflito ideológico da modernidade. A separação artificial entre corpo e mente e uma desvalorização do primeiro é um pensamento tipicamente moderno e que já sumiu do Zeitgeist atual, mas prevalece em alguns discursos, como o feminista.

Se não me engano, foi Kant que afirmou que a ordem está na nossa cabeça, ou seja, nossa mente que cria esses limites e divisões. É claro que precisamos disso, é o que Freud chama de consciente e, segundo o pai da psicanálise, sem isso estaríamos mergulhados nas profundezas da psiquê. De qualquer forma, não podemos levar tão à sério e de forma absoluta nossa consciência.

Agora chega desse bla bla bla acadêmico. Vou contar uma historinha: quando tava naquela fase de formação da personalidade, conhecida como adolescência, adotei – mesmo que inconscientemente – muito do ideal feminista. Também passei pela fase de rejeitar tudo aquilo que considerasse coisa de dona de casa submissa, culpando o batom e as revistas adolescentes pela imbecilização das meninas. Essa rejeição do feminino, depois percebi, era na verdade uma falta de referências. Para mim era assim: mulheres que se preocupavam com aparência eram burras e fim. Por que? Porque eu automaticamente relacionava a ideia de beleza com todos os esteriótipos e referências de mulher burra.

Mulheres belas,  inteligentes e… que ajudaram o movimento feminista

Com o tempo eu amadureci – acho – e percebi que existem mulheres inteligentes, bem-sucedidas e vaidosas. Uma delas, veja só, tinha até um quê feminista: Coco Chanel (1883 – 1971) é até hoje para mim uma referência não só de estilo, mas de como uma mulher pode ser bonita a partir dos seus próprios conceitos (ela revolucionou a beleza feminina no inicio do século XX), além de ter seu próprio negócio, seus amantes e não depender de homem nenhum para sobreviver. Apesar de umas manchas na biografia que eu não aprovo, como ser espiã para os nazistas, Chanel era ousada e estava à frente do seu tempo, influenciando até hoje o modo de vestir das mulheres (e por que não o modo de ser também?).

A estilista também lia muito, incluindo autores como Nietzsche, além de manter contato com artistas revolucionários da época, como Picasso e Stravinsky. Isso numa época em que existia literatura para mulher e literatura para homem (quando a mulher podia ler e tinha educação).

Outro exemplo  é um ícone pop e também um símbolo sexual que marcou gerações: Madonna. Creio que em termos de revolução, essa cantora proporcionou uma libertação sexual das mulheres no âmbito cultural, fortalecendo movimentos que começaram no final do século XIX e que tiveram seu ápice nos anos 60. Muito da postura da Madonna não é de submissão, mas de enfrentamento de tabus sociais e sexuais.

Quem não lembra do escândalo que foi o vídeo Justify My Love? Da discussão que Papa Don’t Preach iniciou em pleno anos 80? E Like a Virgin? Pessoal pode não levar à sério, mas tem que concordar que cantar sobre aborto e virgindade três década atrás não era fácil.

Isso sem mencionar outras figuras importantes na música, como as bandas feministas, rockeiras etc.

Beleza e imposição de padrões

Muito se fala também entre as feministas sobre o padrão de beleza absurdo que impõe para nossas pobres adolescentes. Que cada vez mais cedo as meninas estão usando maquiagem, pintando as unhas etc. Tenho algumas observações à respeito:

1- Padrão de beleza sempre existiu e foi variando conforme a época e sociedade, mas na nossa você tem a escolha de segui-lo ou não. Como afirma o autor Gilles Lipovetsky, o império não é da moda, mas da efemeridade, ou seja, o padrão não é fixo e é menos impositivo do que supomos. Alguém fora de moda no máximo ouve risadas, mas não é perseguido e executado. Além disso, a maioria das pessoas nem segue a moda, porque ela se tornou no contemporâneo um sistema cada vez mais flexível e fragmentado. Por exemplo, no passado, a moda era vestido com cintura marcada, por exemplo. TODO MUNDO usava isso por uma estação inteira. Hoje em dia isso é muito raro, no máximo observamos esse padrão em pessoas ligadas diretamente ao mundo da moda.


2- Com relação ao padrão de beleza corporal, concordo que é um absurdo todo mundo usar silicones imensos, tomar remédios para emagrecer, fazer mil dietas doidas só para ficar magrinha. Isso não significa que você vai jogar sua saúde no ralo, praticar exercícios e se alimentar bem é importante. Benefícios estéticos são apenas consequências secundárias. Quanto aos silicones, acho bom não colocar por modinha, porque, como disse anteriormente, modas são por natureza efêmeras. Cirurgias são caras e é preciso bom senso para ficar legal. Se mesmo assim você quiser colocar, sem problemas, só aconselho a escolher uma prótese proporcional ao seu tipo físico, além de sempre falar com um médico antes.

3- Sobre meninas usando desde cedo maquiagem, não acho saudável e tenho até medo de meninas metidas à adultas, mães criando monstrinhos-misses etc. Fico horrorizada com aquelas mães do programa Pequenas Misses, que passa num canal de TV fechado. Parece que transformam a filha em bonecas. Teve um episódio que a menina, de uns 3 anos, ouvia uma bronca da mãe porque tava com sono e fome, mas tinha que desfilar.

Cada fase tem suas características e eu acho que a infância é para termos liberdade para brincar, aprender etc. Agora, se a criança por si só já tem vontade de ser uma mini-adulta, acho bom os pais orientarem que com a aparência de um, você também ganha as responsabilidades.

Bom, é isso gente. Espero que meus leitores e leitoras vejam esse texto como um ponto de partida para um debate sobre o assunto. Como eu falei em um post anterior, é preciso que o movimento feminista discuta suas controvérsias e que leve essa discussão para as mulheres. Caso contrário, vai acabar se afastando delas e dando combustível para machista que acha que toda feminista é feia e lésbica. Não que isso seja ruim, é uma escolha de cada um, mas não podemos mais viver de esteriótipos. Pelo bem do movimento.

Beijos de quem é mulher, feminista, lê livros e compra maquiagem.

UPDATE: Li um comentário muito legal no guest post no blog da Lola que deu origem a este post aqui. O texto é de uma mãe que se considera feminista e uma das filhas adolescentes quer ser miss. Confiram:

Yuuko disse…Oi, Lola, Oi mãe preocupada! Leio o blog há tempos mas nunca tinha me encorajado a postar. Tenho 15 anos também, e acho que uma visão de dentro sempre ajuda.

Eu acho irônico que, depois de anos e anos de filhas libertárias teimando com mães conservadoras, temos agora o contrário. Os filhos tendem sempre a se rebelar contra os pais, e talvez essa seja a forma da sua filha de chamar atenção. Sua outra filha, feminista, etc se parece mais com você e logo ganha um posto de “preferida”(mesmo que não o seja. Sei porque cabeça de filho é sempre igual, fica caçando motivos pra ser “inferior” aos irmãos, etc). E ela, como resolveu se adaptar a sociedade pra não sofrer tanto desde pequena, o que não é nada covarde- quando se é pequeno, você é frágil e tudo lhe atinge, e as pessoas lidam diferentemente com isso. Algumas conseguem não ligar, mas a maioria acaba chateada. (Ela tentou se adaptar e se incluir quando trocou as camisetas e tênis por sandálias e muito cor-de-rosa) pode se sentir rejeitada no ambiente familiar e quer se destacar aonde conseguir, aonde abrirem as portas. É um ciclo vicioso, mas começou antes que ela tivesse consciência dos seus atos e agora não vai parar.

Meu conselho é que você não desincentive ela a usar maquiagem, ser “feminina” e “fazer coisas de mulher” (DETESTO esses termos, mas vocês entenderam o que eu quis dizer.) A culpa não é da maquiagem, nem do cor-de-rosa, nem da depilação ou no silicone. É injusto julgar as pessoas por isso. É um contra-preconceito. Eu mesma, uso maquiagem e gosto de rosa, tanto que meu cabelo é dessa cor. E não sou escrava de revistas de beleza e etc, sou feminista e por mais que ainda não tenha opiniões totalmente sólidas e de base firme pela minha pouca idade, luto muito pra conseguir chegar a isso. Esses fatores tão criticados(barbie, moda, cor de rosa, maquiagem, silicone) são apenas as consequencias, e não as causas.O feminismo é o direito da escolha, acima de tudo.

A grande questão é: O que sua filha quer com isso?

Ser magra, ser como as modelos, ganhar concursos de beleza, tudo leva a um mesmo ponto: Atenção. Em algum lugar bem dentro dela ela se sente rejeitada, em casa e agora no mundo exterior.

Não proíba. Proibir atiça, cria vontade, tem todo o sabor do desafio. Incentive ela a fazer o que ela gosta, mas de maneira saudável. Se ela quer emagrecer, procure um endocrinologista e faça uma reeducação, que além de tudo ainda ajuda na saúde e qualidade de vida. Se ela quer se sentir na moda, mostra pra ela os segmentos, tudo que moda engloba (porque moda não é só futilidade, é apresentação, uma das expressões que você tem de sí mesmo que compartilha com o mundo. E eu pretendo trabalhar nesse ramo que ao mesmo tempo que é com razão criticado, é muito vilanizado e “demonizado” sendo que engloba muito mais que modelos na passarela e estilistas famosos supervalorizando o que fazem pra sua marca ser sinônimo de status. Moda tá no dia-a-dia). Feminismo, como disse, é escolha. Uma mulher tem direito de colocar silicone sem ser criticada e chamada de artificial, escrava da moda e tudo o mais. Todos nós queremos ser aceitos, e se o corpo é dela, ela que faça o que bem entender. Você como mãe, enquanto ela é menor, faça e ajude sua filha se sentir bem, se sentir aceita principalmente no ambiente familiar. Nessas circunstâncias,tirá-la da escola é uma boa opção, mas você nunca vai conseguir esconder ela da mídia, então dê apoio e encaminhe ela pros resultados que ela quer de uma forma saudável, mostrando sempre as opções que ela tem. Quando você proíbe uma opção só, ela se torna deliciosa, e ignora-se os pontos ruins dela. Mas quando você mostra todas as opções possíveis, ela pode enxergar o que há de bom e ruim em todas elas, e dá pra avaliar calmamente. O que você não pode fazer é agir como uma ‘conservadora’ só que com opiniões as avessas. Isso beira a hipocrisia e vai de encontro a tudo que você acredita. Boa sorte! 🙂

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Dia internacional da Mulher: por que?

De todas as ideologias santificadas no século XX (e profanadas no século XXI), o feminismo é a que se encontra mais perdida. Enquanto os outros membros da família- como o comunismo- se tornaram mitos anacrônicos, o ideal que busca igualdade entre homens e mulheres segue nas beiradas do pensamento ocidental, sem saber se continua parado no tempo ou se se reinventa.

O feminismo não caiu com o muro de Berlim e também não continua cristalizado em partidos, em bandeiras ou centros acadêmicos. Ele flutua indeciso, ora se revestindo de clichês da revolução de sofá, ora institucionalizando-se em leis e organizações de defesa da mulher. Ao mesmo tempo, cada vez mais o feminismo se encontra distante das mulheres. Por que?

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Dia internacional da mulher: festejar ou refletir?

Esse dia, 8 de março, é festejado por vários comerciantes,sejam camelôs e suas rosas de plástico,sejam lojas de perfume,papelarias.Muitas mulheres ficam felizes ao ouvir seus maridos serem gentis(nem que seja uma vez no ano).Por trás dessa cortina de celebração, é preciso entender o porquê de um dia internacional para as mulheres, o que ele simbolizou e simboliza e, já que estamos tratando da imagem da mulher, vamos falar especialmente do papel da mulher na publicidade, mídia e comunicação.

Como tudo começou…

Basicamente, a maioria das sociedades primitivas começou sem estabelecer muitas diferenças entre os sexos.Com o tempo, as características, sobretudo as físicas,  foram determinando as atividades e status de homens e mulheres.Por exemplo, em uma comunidade, logo se percebeu que mulheres não conseguiam carregar tijolos com tanta facilidade como os homens.Assim, esse trabalho foi destinando aos machos da espécie, já que o trabalho seria executado com menos esforço e em pouco tempo, beneficiando toda comunidade.Tá certo que eles provavelmente não pensaram nisso na hora, mas  nasceu a divisão do trabalho por sexo.

Bem, já deu para entender que, conforme a sociedade evoluía, essa divisão foi sendo acirrada.Os gregos, apesar da sua inovadora democracia,não consideravam as mulheres cidadãs.  Aristóteles, um grande filósofo grego, chegou a chama-las de “homens incompletos”.

Na Antiguidade, o único povo que demonstrou dar mais liberdade para as mulheres foi o egípcio.Muitas mulheres obtiveram poder político no Egito Antigo, como a famosa Cleópatra, Nefretiti etc.Relatos sobre as amazonas misturam lendas e mitos, portanto não vou considerar totalmente essa possibilidade.

A cultura judaico-cristã estabeleceu o papel de mãe, dona-de-casa e submissa de uma sociedade patriarcal.A perseguição de milhares de mulheres, acusadas de bruxaria pela Igreja, contribuiu para uma imagem negativa da mulher.Maria Madalena, que ilustra uma grande polêmica, recentemente discutida em O código da Vinci, foi estigmatizada como a associação da mulher ao pecado.E o que falar de Eva, que teve o mesmo papel na história de Gênesis?Seria verdade ou machismo?A imagem da mulher ficou marcada ,durante séculos, por essa visão ou de donzela passiva, ou de mau encarnado.

De Maria Madalena à propagandas de cerveja.

De Maria Madalena à propagandas de cerveja.Como a imagem da mulher foi mudando conforme o tempo e,apesar disso, ainda possui resquícios do passado machista.

Como surgiu o dia 8

Após essa pequena introdução, damos um salto para a época da Revolução Industrial.Muitas mulheres entraram para o mercado como uma mão-de-obra mais barata e fácil de explorar.Ganhando menos e vivendo em ambiente insalubres, elas lotavam as fábricas dos séculos XVIII e XIX.

Mulheres nas fábricas: mais baratas.

Mulheres nas fábricas: mais baratas.

Nesse contexto, em  8 de março de 1857, houve uma greve de operárias de uma fábrica em Nova Iorque.Elas reivindicavam os seguintes direitos:

  • Melhores condições: Sim, como já foi dito anteriormente, as fábricas eram imundas, escuras, úmidas e com “ar viciado”.
  • Redução de carga horária: Reclama das suas 8 horas?As mulheres queriam a redução de 16 horas(o dobro!!) para 10 horas.
  • Equiparação dos salários com os homens: Para executar o mesmo trabalho, uma mulher chegava a receber até um terço do que um homem ganhava.Se os salários daquela época já eram uma miséria, imagine um terço disso.

A reivindicação foi reprimida e as operárias foram trancadas na fábrica, que foi incendiada.Cerca de 130 mulheres morreram.A atitude desumana e cruel ganhou repercussão mundial.Assim, em uma convenção na Dinamarca, em 1910, ficou definido o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.

Assim, a luta por direitos foi levantada por muitas mulheres e ganhou força nos anos 60.A partir daí, foram conquistados cargos importantes e quebrados vários tabus.

Propagandas antigas:Você quer dizer que uma mulher pode abrir isso?, traduzindo para o português.Burra e sem educação, aos poucos a imagem da mulher está mudando, mas até que ponto?

Propagandas antigas:"Você quer dizer que uma mulher pode abrir isso?", traduzindo para o português.Burra e sem educação, aos poucos a imagem da mulher está mudando, mas até que ponto?

Mas, o que isso simbolizou, afinal?

Tirando qualquer teoria feminista idiota, simbolizou o começo do fim de uma muralha entre os dois sexos.Afinal, temos diferenças físicas, mas isso não impede que exista respeito.Apesar do idealismo, muitos atos machistas e de desprezo à mulher continuam ocorrendo.Não falo apenas das denúncias de estupro, violência doméstica,mas da violência à própria imagem da mulher, que será discutida no próximo tópico.

Os movimentos feministas ganharam força nos anos 60: queimar sutians e protestar tornou-se uma atitude comum da mulher a partir desse período.

Os movimentos feministas ganharam força nos anos 60: queimar sutians e protestar tornou-se uma atitude comum da mulher a partir desse período.

Como assim?Mulher e propaganda?

Como muito se fala, mas pouco se faz à respeito, a mídia continua abusando da imagem feminina.Explora e banaliza a sensualidade da mulher como uma forma “espertinha” de conseguir “vender o seu peixe”.Apesar da ligeira evolução nesse sentido, as clássicas propagandas de cerveja e outdoors continuam estampando o estereótipo de mulher-objeto, ou, no vulgar a “gostosa”.A questão é que agora essa mentalidade é passada de um modo bastante sutil, quase subentendido.Vemos essa imagem da mulher desejada por todos em filmes, novelas, propagandas.Isso ocorre, como já foi falado em outras ocasiões, pelo simples fato de isso chamar a atenção.

Dá um exemplo, por favor!

Bom, então imagine um homem comum vendo TV no domingo, sentado em seu sofá e trocando de canal.Domingo é torturante para qualquer pessoa, tendo ela cérebro ou não, então nosso amigo clica raivosamente no controle remoto, esperando algo menos pedante.No passar veloz das imagens, a visão dele capta algo.Ele volta e lá está: uma bela moça semi-nua dançando em algum programa de auditório.Ou talvez uma propaganda em que apareça uma jovem de seios avantajado e biquini desfilando com o produto .Assim como uma arapuca, a propaganda pega em cheio no “ponto fraco” masculino.

http://www.revistafator.com.br/imagens/fotos/hillary_clinton

Mulheres entram em mundos antes restritos aos homens, como a política.

Bom, e dái?Marketing é marketing, não importa os meios, o objetivo foi alcançado!

Espere um pouquinho.Os anúncios publicitários não podem possuir total liberdade para veincular suas idéias.Deve sempre existir um limite na Legislação, para que “qualquer coisa” não seja transmitida.Não?Então imagine  um shampoo para piolhos que faz alusão aos campos de concentração.Você acha correto alguém utilizar essa comparação em um anúncio? O humor negro e sem limites fere os direitos tanto do consumidor que assiste quanto os próprios Direitos Humanos, ao tratar de um assunto tão sério e triste de uma maneira leviana e sádica.Pense no que pode ser passado se brechas nas leis forem criadas e usadas por publicitários.Se o racismo e preconceito podem ser transmitidos, o machismo não foge à regra.O problema é que pouco tem sido feito para frear o uso da mulher-objeto nas propagandas.Esse tema já foi, inclusive, abordado em outros artigos do jornal, como “A anatomia da revista adolescente” e “Não,não desceu redondo”.São questões, que acabam passando despercebidas no nosso cotidiano e que têm sim importância diante das outras violências contra a mulher.

Concluindo…

Que esse não seja apenas um dia de flores.Que não seja apenas um dia.Não precisa pegar sua bandeira e sair gritando e chutando todos os homens que vê pela frente.Mas apenas pense.Reflita sobre o seu papel como cidadã.Talvez, se não fosse por umas 130 operárias mortas, eu não estivesse aqui.Talvez, você não tivesse nascido nessa sociedade, mas em uma que ainda vive os valores “tradicionais”, onde a inferioridade da mulher é uma valor absoluto da sociedade.Talvez se não fosse a revolução cultural dos anos 60, eu estivesse casada com oito filhos e não saberia ler, só tricotar.

À título de curiosidade:

Marcos das Conquistas das Mulheres na História

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1788 – o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
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1840 – Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
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1859 – surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
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1862 – durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
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1865 – na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
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1866 – No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas
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1869 – é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres
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1870 – Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
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1874 – criada no Japão a primeira escola normal para moças
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1878 – criada na Rússia uma Universidade Feminina
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1901 – o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres

Retirei umas informações:

http://www.suapesquisa.com/dia_internacional_da_mulher.htm

Sugiro:

http://www.ufpa.br/beiradorio/rep3.html


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Não,não desceu redondo.

O mundo artificial criado nas propagandas de cerveja.Depois o Ocidente quer ter "moral" para falar do machismo no Oriente.Observe como o homem segura as mulheres como se fossem copos de cerveja.

O mundo artificial criado nas propagandas de cerveja.Depois o Ocidente quer ter "moral" para falar do machismo no Oriente.Observe como o homem segura as mulheres como se fossem copos de cerveja.

Muitos já devem ter percebido a falta de lógica e bom senso presente nas propagandas de cerveja.Pensamos: “o que diabos os publicitários tem na cabeça para criar essas campanhas acéfalas?”.Elas sempre recheiam o horário nobre, com suas piadas sem graça, sua apelação sexual e preconceito.São simples de fazer, tanto que a maioria segue a mesma fórmula, sempre englobando elementos básicos:

a)Muitas mulheres de biquini/pouca roupa/ou qualquer outra fantasia masculina.

A presença das mulheres é imprescindível.Ou melhor, não são mulheres, são objetos sexuais representativos.Assim como uma cerveja  boa, a mulher “boa” causa prazer ao homem.A falta de realidade, além do machismo absurdo, é que as mulheres são muito bonitas, sem barriga, seios grandes.Quando na verdade, todos nós sabemos como fica alguém que bebe muito: barriguinha de chope,estrias, celulites…Ah!Não se esqueça de colocar alguma “celebridade” das novelas da Globo, para ganhar mais simpatia do público noveleiro em geral.

b) Piadinhas sem nexo

Sempre tem que existir uma piadinha, mesmo que seja bastante sem graça.A maioria é apelativa, como “Ou seja, CerVEJA”.(haha!)

c)Slogans “grudentos”

Frases feitas insuportaveis, aliadas às piadinhas sem nexo.Coisas como “desce redondo”(que?).

d) A vida é uma festa eterna!

No mundo das cervejas, as pessoas são muito bonitas e vivem uma festa eterna: rodinhas de pagode, mulheres lindas disponíveis para todos os homens, piadas de bar…Ninguém mostra o que acontece DEPOIS do bar, claro: vômitos, ressaca, dor de cabeça,tontura, roncos(sim, beber faz você roncar).

O problema nem é o consumo de bebidas alcoólicas, mas o tipo de ideal que as propagandas, sobretudo das cervejas, transmitem.São raras as exceções que fogem a esse estereótipo.Isso é preocupante, porque todos tem acesso a esse tipo de publicidade e acabam absorvendo essas idéias irreais e machistas, que expõe a figura da mulher ao ridículo.

Umas das exceções são as propagandas  do uísque Johnnie Walker, onde eles usam artifícios até inteligentes(a importância de um passo para alcançar as coisas na vida, ou seja, de tomar inciativa).Tudo isso prova que é possível fazer uma propaganda de bebidas alcoólicas inteligente, sem subestimar a capacidade de seu consumidor.

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