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Belém, tu não “foi” assim.

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Historicamente, a capital paraense possui uma influência portuguesa forte. Não só na arquitetura e genética, mas também na forma como o belenense fala.No processo de introdução da língua portuguesa na Amazônia, várias palavras próprias da cultura portuguesa e também certos elementos do sotaque foram absorvidos : merendeira,arredar, o chiado característico e uso do pronome “tu”.

No entanto, nas últimas décadas, com a expansão das redes de televisão de alcance nacional, a forma de se falar em Belém tem sofrido mudanças significativas. A transmissão de telejornais produzidos por redes do sudeste do país impôs uma nova dinâmica sociolinguística na capital.

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A beatificação do livro

É um fenômeno que se pode observar em boa parte da massa intelectualizada do Brasil.Por todo lugar, o livro tornou-se um objeto símbolo do conhecimento, do saber, chegando a ser venerado por letrados.Desde o clássico “desligue a TV e vá ler um livro” ou variações como “saia do Orkut e vá ler um livro”, ou talvez a falácia “Pelo menos estão lendo alguma coisa, melhor do que ver TV”.A TV, por outro lado, virou símbolo de alienação e burrice.Os dois extremos carregam os equívocos e erros de interpretação cometidos por esses “intelectuais”.

Os livros viraram os cavaleiros do saber, prontos para defenderem a santa intelectualidade brasileira e destruir os infiéis,Uhu!

Os livros viraram os cavaleiros do saber, prontos para defenderem a santa intelectualidade brasileira e destruir os infiéis,Uhu!

A primeira coisa a entender são os princípios da comunicação: o emissor, mensagem, meio de comunicação e o receptor.Vamos ilustrar com duas situações:

1)Situação I : Temos o emissor, que é uma rede de televisão.Temos o receptor, que é um telespectador.Temos o meio, que é a TV.Temos a mensagem, que é o programa X.

2) Situação II : Temos o emissor, que é o autor de um livro.Temos o receptor, que é o leitor.Temos o meio, que é o livro.Temos a mensagem, que é um resumo escrito do programa X.

Pergunta: Qual é menos alienante: o programa ou o livro?

É óbvio que se um for, o outro também será.Já que a mensagem é a mesma, não importa o emissor, o receptor ou o meio de comunicação.A mensagem é o que define o caráter do que é emitido, não o meio.

É esse o grande equívoco de muitas pessoas.Elas usam o raciocínio de  que nos livros encontram-se as maiores fontes de cultura, quando na verdade um livro pode transmitir tanta porcaria quanto uma TV.Assim como uma TV pode ensinar, educar.

Só porque poucos leem, não quer dizer que qualquer livro deve ser transformado em um santo esclarecedor das pobres almas incultas.Pelo contrário, muitos livros são instrumentos de massificação cultural, assim como muitos sites e muitos programas.Enquanto muitos pensam que um livro ruim pode abrir portas para os livros bons, se enganam.O mundo da leitura acaba ficando limitado aos best-sellers de pseudo escritores, pois boa parte do público alvo dessa categoria não consegue expandir os seus horizontes.

Assim, os clássicos ficam restritos a uma minoria letrada e esquecidos nas prateleiras.Uma outra “minoria”, um pouco maior, engole o grande mercado literário instalado.O resto se limita às leituras obrigatórias ou a nada.Não que isso seja necessariamente terrível, o problema não é a pessoa deixar de ler.É a pessoa deixar de beber de qualquer fonte de conhecimento.Não interessa se essa fonte saiu do computador ou de uma televisão.

grafico

Com esse gráfico muito ruim, pode-se extrair as três principais categorias de leitores no Brasil, incluindo mais duas intersecções.

1- Leitores dos clássicos

Geralmente são universitários, professores ou especialistas.Mais ou menos 10% dos leitores.

2- Intermediários entre os clássicos e leituras básicas + best-sellers e booms literários.

Ainda constituem uma minoria de letrados, estudantes e alguns poucos jovens.

3- Leitores dos Best-Sellers

São a segunda maior massa de leitores ativos.É uma massa bastante heterogênea, englobando jovens, adultos, diversos profissionais, leigos.Apesar disso, ainda não constituem uma maioria e não alcançam grande parte das massas mais pobres.

4- Intermediários entre os Best sellers + Não leitores ou somente quando obrigados

Esses possuem um costume menor de leitura.Pegam às vezes um best seller, outras vezes não.São leitores irregulares e também heterogêneos, englobando uma massa bastante variada de profissiões, classes, idades.

5-Não- leitores ou leitores somente quando obrigados

Essa é a categoria que definitivamente não lê nada.No máximo em situações de pressão escolar.Por mais triste que isso seja, como eu já expliquei acima, tudo é uma questão de ponto de vista.Se dessa massa, alguns buscam informações em outros meios, não podem ser considerados incultos, burros, alienados.O livro é apenas um meio que eles não gostam, não existe nenhum problema nisso.

Enfim, os defensores dos livros têm “meia razão”.Por um lado, eles desejam uma melhora na cultura do país.Por outro, eles acabam caindo no preconceito contra os outros meios alternativo, ignorando a importância de qualquer forma de expressão existente, seja ela a dança, os programas de tv, os livros, os sites ou qualquer outra.

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Jornalistas abutres

   Eu sei que o mundo no século XXI é feito de informação.Tanto é assim, que boa parte das ditaduras que vivemos não são mais no campo da força física, mas das idéias.Ou seja, hoje em dia palavras e hábitos podem tornar-se poderosos sobre um ser humano.Eu bem sei que num mundo assim, comunicação é a palavra-chave, já que uma pessoa que não tem acesso à informações acaba criando uma imagem distorcida da realidade.Mesmo assim, não consigo me conformar com o modo como as informações chegam até nós: mastigadas, pintadas, maquiadas, exageradas, fedorentas.

   Um exemplo é o que se vê em qualquer jornal/telejornal nessas últimas semanas : Crise x Caso Eloá.É tão repetitivo quanto o esquecido caso Isabela, a crise dos alimentos, as tsunamis, as eleições, os mensalões e assim vai.Claro que quando trabalhamos com jornais, nós temos que dar preferência para temas atuais, isso é de praxe, mas o resto merece ser tão esquecido?E o desfecho de todas essas situações, tão repetidas na mídia?Ninguém sabe, nem o Lula.

Oba, Manchete!

Alguém morreu: Oba, Manchete!

   A verdade é que isso funciona como uma novela, prontamente analisável : uma notícia chocante(introdução) >>acompanhamento 27h por dia do caso >> exploração exaustiva da mídia >> a Justiça “resolve”, todo mundo esquece.Ou seja, ao invés de funcionar de maneira útil, é um sensacionalismo barato e CHATO.É tão CHATO que depois de 3 semanas, ninguém mais aguenta ouvir e ler as mesmas coisas.Umas pessoas fixam isso de maneira robótica,enquanto outras simplesmente mudam de canal.

   Os meios de comunicação exploram as tragédias de maneira verdadeiramente sádica.Não acredita?Abra a página policial do seu jornal diário, você verá sangue, falta de respeito com os mortos/familiares e uma verdadeira indústria do horror.Sendo assim, como levar esse meio à sério,já que parece mais uma sessão de filmes de terror japoneses do que uma fonte de informações?Uma notícia chocante de homicídio, suicídio atrai jornalistas feito moscas atrás dos cadáveres, onde está a ética?No bolso cheio de dinheiro(sujo de sangue) é que não está.

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Penso, logo desisto.

        Um mundo que coíbe a ação dos indíviduos, encarcerando as opiniões, começa na fonte das informações: a Grande Mídia.

 Aquele clássico símbolo da mão apoiando o queixo, típico de filósofo de bar, parece estar se dissolvendo em nossa sociedade.A mudança de valores foi tão intensa nesses últimos cem anos que, apesar da rápida evolução tecnológica, o século XXI será o com menor número de pensadores, artistas, escritores.As manifestações artísticas, como música e cinema, ganham uma conotação essencialmente comercial.

   De uma juventude que valorizava a política nos anos 60, saltamos para uma sem identidade, anestesiada com a situação e extremamente consumista.O senso crítico foi desaparecendo e apercepção da realidade sendo distorcida pouco a pouco.Os seres pensantes são desvalorizados e o simples ato de reflexão causa uma reação preconceituosa.Mas será que o acaso moldou essa visão?

  Um mundo que coíbe a ação dos indíviduos, encarcerando as opiniões, começa na fonte das informações: a Grande Mídia.O surgimento do jornalismo corporativo limita o pensamento de muitos no interesse de poucos, revelando a relação promíscua entre os meios de comunicação e políticos, empresários, lobistas.Assim, a sociedade foi moldando-se a esse sistema, cada dia mais preguiçosa mentalmente, mais passiva às verdades e mentiras divulgadas.

  As manifestações culturais e as artes vão cedendo espaço para as novelas, permanecendo presas à idéia de que são restritas a museus ou a uma elite, quando na verdade todo ser humano é capaz de sentir e questionar.

  Caberia aos seres pensantes desistir e juntar-se à manada?”O que não mata, fortalece”, já dizia sabiamente outro ser pensante.Portanto, ainda existe esperança para todos aqueles que ousarem proferir as temidas palavras: por que?

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