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Chic?

A polêmica do uso de pêlos em roupas e acessórios voltou depois da coleção PELEMANIA da Arezzo. O debate, dessa vez, vai muito além do conflito fashionistas x ecologistas e implica até que ponto podemos ser ecologicamente corretos.

Desfiles invadidos, cartazes, WWF, Greenpeace. Já tem um tempo que ativistas ambientalistas criam confusão – muita das vezes em vão – com produtos de luxo, cosméticos, bolsas e vestuário que contém substâncias que fazem mal para o meio ambiente ou que são feitos de pele/couro/pêlo de animais.A diferença é que dessa vez a questão divide a opinião do público na internet, que protesta ou concorda com a marca no Twitter, colocando a Arezzo no topo dos Trending Topics do Twitter.

Pelo fato de envolver um público muito maior que os ambientalistas costumeiros, a fragilidade do discurso ambientalista coloca em questão os limites de uma atitude ecologicamente correta. Diferentemente dessa maioria de ambientalistas, as pessoas consomem carne e usam produtos feitos de couro, o que contribui para uma crítica válida ao hipócritas de plantão, como vemos no tweet abaixo:


Coelhinhos e bichinhos fofinhos

O que evidencia a hipocrisia entre vegans, ecologistas e fashionistas é que muitos defendem apenas animais fofinhos, mas não tem problemas com a morte de outros seres, como insetos e os gados para alimentação. O pensamento é mais comum no mundo ocidental, já que em países do Oriente, como a China, é comum comer animais fofinhos, como cães, gatos etc.

Comer carne é tão anti ético quanto ter um casaco de pêlos naturais?

Em contrapartida, comer carne é diferente de comprar um casaco de pêlo, principalmente porque precisamos comer para sobreviver. Em um país como o Brasil, fica ainda mais difícil impor um padrão vegan para a população, já que são produtos mais caros e distantes do modo de vida da maioria das pessoas.

A questão-chave é: comer carne é tão anti ético quanto ter um casaco de pêlos naturais? Eu não sei a resposta, sobretudo porque é uma pergunta que envolve mais valores do que ciência. Essa é uma das coisas que complica o discurso ambientalista: ele está carregado de moralidade, uma característica que chega, inclusive, a lembrar o discurso religioso.

Teoricamente, comer carne é um processo de acordo com as leis da Natureza. Os outros animais fazem isso entre si e é impossível sobreviver sem tirar a vida de algo, seja um outro animal ou uma planta. A não ser que você faça fotossíntese, você não tem saída. Alguns vegans/vegetarianos argumentam que diferentemente do leão, nós temos consciência e podemos optar pela ingestão somente de vegetais.

Eu já tive discussões homéricas com vegans/vegetarianos e tento evitar ao máximo esse tipo de debate, porque nenhum dos lados muda de opinião e acaba sendo uma troca de farpas à toa. Dessa forma, vou logo avisando que estou dando minha visão do assunto e você é livre para discordar (com educação, sempre) nos comentários.

Voltando para a questão da Arezzo, existem opções criadas pela ciência que imitam muito bem o couro, os pêlos de animais e a pele, então por que insistir no uso das “originais”? Infelizmente, com relação às carnes as opções ainda são complicadas: vegans/vegetarianos geralmente tem que tomar suplementos, que nem são cientificamente comprovados como saudáveis. É nesse momento que lembro do caso do bebê que morreu de desnutrição por causa da dieta vegan imposta pelos pais. Além disso, se formos pela lógica de “comer cadáver”, só consumindo proteínas e vitaminas no formato de cápsulas, porque, como já foi dito anteriormente, plantas também são seres vivos.

Por outro lado…

https://i0.wp.com/makefor.virgula.uol.com.br/_img/fck/image/casaco%20pelos.png

A moda das roupas de pêlos varreu o hemisfério norte, principalmente depois de um desfile da Chanel com botas felpudas. As fashionistas de plantão questionam : ” Por que não podemos usar o couro/pêlo/pele dos animais que comemos?” O problema nem seria aproveitar ao máximo o abate de um animal, mas matar simplesmente para fazer uma roupa. O resto de raposas, coelhos seria jogado no lixo – uma crueldade sem tamanho, além do desperdício.

A indústria da moda, é bom lembrar, movimenta tendências efêmeras, que, justamente por essa característica não chega a ser responsável pela extinção de coelhos, por exemplo. Se formos analisar, casacos de pêlos são usados desde a pré-história, mas de modo esporádico desde o surgimento da moda consumada (referência à Império do Efêmero, de Gilles Lipovetsky). Mas já tirar a vida de um animal apenas para satisfazer os desejos da moda é um problema?

Quando a moda quer uma coisa, ela não vê limites e pode ser muito inflexível – por mais paradoxal que isso possa parecer. Ela tem a capacidade de ser sim ecologicamente correta, mas esse modelo só serve a um segmento social e não se constitui uma regra para a moda generalizada. Como reverter esse quadro?

Podemos persistir no pensamento de que a moda é apenas uma futilidade, um apêndice do capitalismo ou reconhecer que essa seria uma visão extremamente fechada e bitolada do fenômeno. A moda tem muito a ver com comportamentos e demandas. Um acessório de pêlos fake tem mais ou menos valor do que um natural? Por que? Tudo isso não depende apenas de um grupo de estilistas, mas de quem compra esses produtos.

Por fim…

Essa não é uma questão com resposta pronta e, principalmente, com resposta certa. Envolve valores, ciência, gosto e opiniões muito fortes. A minha é a seguinte: se temos opções que não matem animais somente para extração de pele/couro/pêlos, ótimo, vamos usar essas opções. Quanto ao bife de cada dia, vamos aguardar as soluções da ciência.

Texto: Caroline S.


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A mídia auratizadora dos cargos públicos

Todos os domingos o caderno Diário dos Concursos, do jornal Diário do Pará, é o mais disputado pelos leitores. Ora, será porque ele traz as oportunidades de emprego em cargos públicos para uma massa de desempregados sonhadores? Mas… esse cidadão infeliz com sua vidinha de miséria e tristeza busca desesperadamente mais o trabalho ou o salário que são apresentados na publicação? A pergunta não deve parecer tão óbvia, afinal de contas, qual pessoa quer ser maltratada por um funcionário público preguiçoso, arrogante e ambicioso?

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História fashion

[ série especial]

A História sempre foi um tema visto com certo temor pelo mundo do entretenimento.Contrastando o com o brilho natural do gênero, qualquer produção voltada para temas históricos encontrava admiração apenas em pequenos grupos. Devido à associação com aquela professora chata e feia que todo mundo já teve lá no início da vida, o preconceito pelo público em geral sempre foi notório.

Entretanto, nas últimas décadas, produtores hollywoodianos têm aproveitado “fatos históricos” para filmes, séries e outros ramos da indústria cultural.Dessa nova vertente, boas produções já abordaram temas célebres como : Roma, Grécia, Segunda Guerra Mundial etc.Em contrapartida, muitos fatos históricos servem apenas como pretexto, perdendo-se em meio às lutas cinematográficas, à criação de caricaturas heróicas/diabólicas e às versões distorcidas para agradar o público.

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De obeso e rabugento à estrela de Hollywood: maravilhas do século XXI.

Com um olhar atento aos modismos culturais que surgem a cada dia, deparei-me com um padrão curioso: Henrique VIII, aquele  personagem histórico das minhas aulas de Reforma Protestante tornou-se uma figura extremamente in.Diversas produções que abordam o monarca obeso e suas quinhentas esposas/amantes pipocam a cada dia(A outra, The Tudors).Infelizmente, essas abordagens são extremamente deturpadas, focando-se em uma figura bonita,magra e mulherenga.Talvez Henrique fosse até a última, mas transformar a política inglesa do século XVI em uma orgia histórica é, no mínimo, uma visão caolha.Qual real interesse dos produtores em recriarem Henrique VIII?

Esse jogo com a imagem de Henrique provavelmente é feita com a desculpa de que se os fatos históricos fossem realmente narrados, o público não assistiria.Mas, convenhamos, transformar esse personagem em um príncipe encantado no estilo playboy e  resumir todo o surgimento da Igreja Anglicana em um folhetim mexicano repleto de cenas picantes só afasta o público do que realmente importou com relação ao rei inglês.Por que ele entrou para História?Será que foi por ter dezenas de esposas/amantes?

As semelhanças chegam a impressionar.

As semelhanças chegam a impressionar.

Só espero que essa tendência não se aprofunde com o tempo.Imagine Cabral sendo encarnado por algum ator belíssimo,músculoso e sem talento.Ou talvez DaVinci, ao invés de um velho de barba pintando, como um Brad Pitt da vida.

A História deveria ser tratada com mais seriedade.Aproveitar um fato/pessoa histórico para criar uma ficção acarreta diversos problemas de interpretação e até conhecimento do público.Muitas pessoas não saberão quem foi Henrique VIII através da escola.Mas, será que assistir à sua versão cinematográfica irá esclarece-la?Essa pergunta eu deixo para o leitor responder.

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14 de Outubro : OVNIS, corrente ou charlatanismo?

    A Internet e o meio ufológico internacional ficaram agitados nesses últimos dias, quando se espalhou a suposta mensagem alienígena de que os E.Ts finalmente fariam um contato oficial com a humanidade.Diante de todos os inúmeros boatos e misticismos, um civil, leigo e mal informado fica naturalmente confuso à respeito.A suspeita de que não passe de mais um boatinho, spams, mensagens falsas e etc têm gerado um clima de ceticismo e curiosidade entre os internautas.

     A ufologia para muitos é um estudo sério, enquanto que para outros não passa de pura farsa.Pseudo ufólogos, médiuns existem aos milhares,já que sempre existem pessoas oportunistas(assim como existem falsos padres, juízes, médicos, espíritas e por ai vai).Apesar disso, acho que só depois de 14 de Outubro será possível tirar qualquer conclusão sobre o fato.Afinal, pode ser uma brincadeira ou então uma possibilidade inédita nesse planetinha.

    É uma questão de escolha pessoal, ninguém pode ser tão orgulhoso ao ponto de não admitir a possibilidade, ao mesmo tempo que não pode ser tão cego e acreditar fielmente na história.Assistam o vídeo e tirem suas próprias conclusões.

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